Cunha diz que não teme ser cassado nem preso pela Lava Jato

Em entrevista à Rádio Estadão, presidente afastado da Câmara afirmou que não faz 'manobras' e que pode recorrer de uma eventual decisão por sua cassação à Comissão de Constituição e Justiça

Agência Estado, O Estado de S.Paulo

01 de junho de 2016 | 11h18

SÃO PAULO - O presidente afastado da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ) não descartou, em entrevista à Rádio Estadão nesta quarta-feira, 1º, recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa após decisão do Conselho de Ética sobre processo que investiga se ele quebrou o decoro parlamentar sob acusação de manter contas no exterior e mentir sobre a existência de tais contas à CPI da Petrobrás. O relatório de Marcos Rogério (DEM-RO), que sugere a cassação do peemedebista, está previsto para ser lido nesta quarta à tarde. "Não temo ser cassado e nem preso pela Lava Jato, tenho absoluta certeza que serei absolvido", disse Cunha.

Ao dizer que pretende recorrer da decisão, o presidente afastado da Câmara citou que não conhece o parecer de Marcos Rogério, mas só a presença dele como relator do seu processo já é um elemento para a nulidade do processo. Isso porque Rogério trocou o PDT pelo DEM, partido que faz hoje parte do mesmo bloco do PMDB, o que seria um impeditivo para que relatasse sua representação. O relator já rebateu este argumento de Cunha, dizendo que vale o bloco do início da legislatura.

Na entrevista, Cunha voltou a se defender, reiterando que não mentiu à CPI da Petrobrás, no ano passado, e que não é titular de contas na Suíça. Ele também negou que seu processo tenha sido o mais longo da história da Casa e rebateu que esteja fazendo manobras para atrasar ainda mais uma decisão sobre a denúncia de que teria quebrado o decoro parlamentar, o que pode lhe custar o seu mandato de deputado. "Há (sim) manobras espúrias de quem quer aparecer nos holofotes para pegar carona em cima de minha imagem."

Sobre as informações de que o presidente interino da Câmara dos Deputados, Waldir Maranhão (PP-MA), estaria manobrando a seu favor para tentar postergar ainda mais o seu processo na Casa, tentando mudar as regras de votação, Cunha as classificou de "fraude à opinião pública." Segundo ele, "a mídia comprou essa versão e uma mentira repetida inúmeras vezes é uma prática fascista". Cunha argumentou que a consulta à CCJ que questiona as regras de votação em plenário trata-se de um ofício encaminhado por Maranhão, mas cuja autoria é de um dos membros do Conselho de Ética, que ele não citou o nome. "É um procedimento normal, quando há dúvidas, se consulta a CCJ, não vejo nada demais. E ela (consulta) não foi feita por Maranhão, mas por um membro do Conselho de Ética."

Dilma. À Rádio Estadão, Eduardo Cunha voltou a atacar a presidente afastada Dilma Rousseff (PT), dizendo que espera que ela se torne efetivamente ex-presidente da República, porque foi afastada por crime de responsabilidade e o PT causou muitos danos ao País. Indagado sobre a entrevista concedida pela petista em que ela diz que ele é o verdadeiro mentor do governo do correligionário Michel Temer (PMDB), Cunha alfinetou: "Ela (Dilma) tem fixação (por mim), até compreendo o ódio dela porque dei curso ao processo de impeachment que levou ao seu afastamento. Eu me ajoelho para agradecer a Deus por tê-la afastado da presidência, ela fez muito mal ao País, não dá pra ela governar o Brasil."

O presidente afastado da Câmara diz que o processo que tem sofrido no parlamento e seu afastamento da direção da casa é resultado de um "julgamento político" e o preço de ter colocado a admissibilidade do afastamento de Dilma Rousseff na pauta do dia do parlamento. "Estou pagando um preço pesado por ter dado curso ao processo do impeachment e em cada intervenção dela (Dilma), não há como ela não me agredir", emendou.

Temer. Indagado sobre os percalços que a gestão Temer enfrenta nesses primeiros dias de governo interino, Cunha relativizou os problemas e fez um paralelo com a gestão de Itamar Franco, que sucedeu Fernando Collor de Mello, após seu processo de impeachment. "Este ainda é um governo de improviso, constituído às pressas (após a saída de Dilma), se fizermos um paralelo com Itamar, vamos ver que em sete meses ele teve quatro ministros da Fazenda, foi uma crise de muito maior tamanho. Óbvio que o improviso de hoje não é bom, mas deve se resolver quando (o governo Temer) se tornar definitivo", destacou. E reiterou que o primeiro passo para isso é o Senado confirmar o afastamento de Dilma e as forças políticas se unirem "para salvar o País da derrocada que o PT deixou". 

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