Cunha diz que foi à África 37 vezes em dois anos para comercializar mercadorias

Em reunião com líderes governistas, presidente da Câmara mostrou cópias de seus passaportes com carimbos de entrada no Zaire e no Congo; viagens teriam sido feitas na década de 1980, mesma época em que o parlamentar diz ter feito negócios com africanos

Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2015 | 15h21

BRASÍLIA - Em almoço com líderes governistas e de oposição na residência oficial, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), mostrou nesta terça-feira, 10, cópias de seus passaportes em que aparecem 37 carimbos de entrada no Zaire e no Congo, na África.

De acordo com três líderes ouvidos pelo Estado, as 37 viagens concentraram-se em dois anos da década de 1980, período no qual Cunha diz ter feito fortuna com a venda de mercadorias no exterior. Na semana passada, descobriu-se que um dos produtos vendidos era carne enlatada. Na sexta-feira, 6, o peemedebista recusou-se a dizer ao Estado que outros tipos de mercadoria comercializava. Aos líderes, no entanto, disse que vendeu também itens como arroz e feijão.

No almoço desta terça, Cunha reafirmou o que disse em uma série de entrevistas na semana passada. Negou ter contas no exterior e disse não ter ingerência sobre o patrimônio administrado pelos trustes que constituiu.

Na avaliação de líderes da base e da oposição, Cunha deu um "tiro no pé" ao conceder as entrevistas e acabou se comprometendo ainda mais e sem necessidade de entrar em tantos detalhes

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