DIDA SAMPAIO/ESTADÃO
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Cunha diz que depoimento de ex-diretor é fala de funcionário 'com raiva'

Presidente da Câmara rebate acusações do procurador-geral Rodrigo Janot de que Luiz Fernando Eira reforçou as suspeitas contra ele ao falar sobre o sistema de informática da Câmara para o MPF

Daiene Cardoso e Beatriz Bull, O Estado de S. Paulo

08 de maio de 2015 | 19h50

Brasília - Em reação ao depoimento do ex-diretor da área de informática da Câmara dos Deputados Luiz Fernando Eira à Procuradoria-Geral da República (PGR), o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), questionou a legitimidade das informações prestadas por um funcionário "demitido com raiva". "Ele, Eira, é nesse momento um ex-chefe demitido por não cumprir sua obrigação profissional. Só isso. Logo, as suas palavras não podem ter o condão de serem verdades absolutas e são nesse momento eivadas de suspeição", disse ao Broadcast Político

O depoimento do ex-diretor motivou o mandado de requisição de documentos realizado no início da semana na Câmara dos Deputados, conforme revelou o Estado. Cunha comparou a medida à ditadura militar e voltou a atacar o procurador-geral da República, Rodrigo Janot. "É forçação de barra do PGR, que inclusive poderia ter oficiado a Câmara para ter isso, mas optou por um procedimento de busca numa afronta ao parlamento jamais vista. Nem na ditadura fizeram isso", disse o deputado.

Na visão do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, as informações prestadas por Eira "reforçam as suspeitas" de que os arquivos investigados na Operação Lava Jato foram de autoria de Cunha. O presidente da Casa reafirma que os requerimentos não foram de sua autoria e rebate argumentos do ex-diretor de informática de que o acesso ao sistema do deputado precisa de senha pessoal.

"A senha é pessoal no conceito, mas, se o parlamentar dá aos assessores a autorização, eles usam. Brincadeira acharem que eu sentei no computador, bati um requerimento e enviei no Word. Que deputado faz isso? Nem a minha senha de internet de banco eu sei e uso", afirmou o deputado, dizendo não saber sua senha e nunca ter entrado no sistema durante seus anos como parlamentar. "A minha reação só não está sendo mais dura porque eu sou vítima. Fosse contra qualquer outro parlamentar a minha reação seria duríssima", afirmou.

Cunha acusa Janot de estar tentando "constranger" o Supremo Tribunal Federal (STF), que está prestes a julgar um recurso apresentado pela defesa do parlamentar que pede o arquivamento do inquérito aberto para investigar suposta a participação do presidente da Câmara na Lava Jato. "O caso é que a PGR, como não encontrou nada contra mim, está tentando forçar uma situação para me constranger e constranger o STF às vésperas de julgarem o agravo regimental contra a abertura do inquérito", defende-se o deputado.

O advogado de Eduardo Cunha, ex-procurador-geral Antônio Fernando de Souza, afirmou que o depoimento de Eira é "absolutamente irrelevante" e é "uma demonstração de que o Ministério Público não tem absolutamente nada de prova capaz de sugerir qualquer participação do presidente Eduardo Cunha". "A diligência que foi produzida depois do depoimento era desnecessária, porque os dados estavam à disposição de qualquer um", completou o ex-procurador. Ele destaca ainda que, durante processo de delação premiada, Julio Camargo - que teria sido, segundo a PGR, pressionado por Cunha a retomar sistemática de pagamento de propina - "em nenhum momento se refere a esse suposto requerimento e a pressão".

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