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Cunha diz a aliados que Renan deve aparecer nas próximas delações

Presidente da Câmara não falou sobre origem da informação e disse que é inocente das acusações contra ele feitas pela Procuradoria-Geral da República

Daniel Carvalho, O Estado de S. Paulo

25 de agosto de 2015 | 19h31

Brasília - Denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) na semana passada por suposto envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), disse a aliados que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), deve aparecer em futuras delações premiadas. Renan também é investigado na Lava Jato, mas a PGR ainda não apresentou denúncia contra ele.

De acordo com participantes do encontro, Cunha não citou a origem da informação. No jantar oferecido no início da semana, tanto Cunha quanto líderes qualificaram a denúncia como "frágil". O peemedebista se disse inocente, segundo relatos, e afirmou que ser manterá concentrado no trabalho. Seguindo orientação de sua defesa, Cunha tem evitado a estratégia de se defender atacando como fez em julho, quando o lobista Júlio Camargo o acusou de pedir propina de US$ 5 milhões. O presidente da Câmara afirmou estar recolhendo documentos para apresentar em sua defesa.

A acusação contra Cunha também surgiu no plenário da Câmara.  Com apoio de alguns integrantes do PT, o líder do PSOL, Chico Alencar (RJ), começou a recolher assinaturas de deputados pedindo o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Casa. O parlamentar se recusou a informar quantas assinaturas já havia recolhido. A coleta vai até esta quinta-feira.

"Presidente Eduardo Cunha, vossa excelência não tem mais condições de presidir a Câmara dos Deputados. Vossa excelência tem o direito de se defender, mas não tem o direito de utilizar o cargo de presidente da Câmara como instrumento de defesa", afirmou Glauber Braga (PSB-RJ) da tribuna da Casa. "É necessário que vossa excelência se afaste", disse Braga, acusando o PT de ceder a chantagem de Cunha para não se manifestar.

Apesar de alguns petistas defenderem a saída de Cunha, o partido não deve tomar uma posição institucional. Uma reunião da bancada estava prevista para a última segunda-feira, mas foi suspensa e uma nova data não foi marcada.

O deputado Delegado Edson Moreira (PTN-MG) saiu em defesa de Cunha. "A Constituição é clara quando diz que se tem o direito à ampla defesa, ao devido processo legal. Acusação é uma mera acusação. A denúncia nem foi aceita ainda", afirmou Moreira. "Vossa excelência tem o dever moral de permanecer no cargo", disse o deputado.

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