Cunha comunicou oposição com antecedência e não pediu contrapartida

Oposicionistas garantem que o peemedebista não impôs nenhum condicionante em relação ao processo disciplinar no Conselho de Ética e disse que sua decisão sobre o futuro de Dilma já estava tomada

Daiene Cardoso e Daniel Carvalho, O Estado de S.Paulo

02 de dezembro de 2015 | 20h13

BRASÍLIA - Minutos antes de anunciar nesta quarta-feira, 2, o início do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), chamou os líderes de oposição para comunicar que havia tomado a decisão. Os oposicionistas garantem que o peemedebista não impôs nenhum condicionante em relação ao processo disciplinar no Conselho de Ética e disse que sua decisão sobre o futuro de Dilma já estava tomada.

Os oposicionistas estavam há duas semanas evitando frequentar o gabinete de Cunha. O líder do DEM, Mendonça Filho (PE), foi levado por Rodrigo Maia (DEM-RJ) - aliado do peemedebista - à sala da presidência para ser informado. Ao ser comunicado, Mendonça respondeu que não tinha nada a oferecer e que o voto do conselheiro Paulo Azi (DEM-BA) não mudaria.

O líder do PSDB, Carlos Sampaio (SP), foi comunicado por telefone e seguiu a mesma linha de Mendonça. "Não há a menor possibilidade de haver qualquer mudança na postura adotada até agora pelos representantes do PSDB no Conselho de Ética. Eles têm total apoio da bancada", disse o tucano ao Broadcast Político, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado.

Revanche. Um a um, os oposicionistas que deixavam o gabinete da Presidência da Câmara sinalizaram que o processo de afastamento de Dilma estava prestes a ser deflagrado. Eles relatavam que Cunha estava enfurecido com a bancada do PT por anunciar que votaria contra ele no Conselho de Ética.

Para a oposição, não importa se a decisão foi em retaliação aos petistas. "O que importa é que o pedido de impeachment tem legitimidade, tem suporte popular e as bases que sustentam a argumentação são absolutamente consistentes", disse Mendonça.

Um dos líderes que passaram nesta tarde pelo gabinete presenciou uma ligação de Cunha comunicando o Palácio do Planalto sobre a decisão. "A decisão está tomada. Não recuo", avisou categoricamente. Antes de se dirigir aos jornalistas, Cunha ligou para o vice-presidente Michel Temer e o presidente do Congresso, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciando sua decisão.

Durante a entrevista coletiva em que anunciou a abertura do impeachment, Cunha lembrou que, ao longo de 10 meses, recebeu número recorde de 34 pedidos de afastamento da petista. O peemedebista rechaçou a tese de vingança contra o PT e disse que sua posição era "coerente" e baseada em fatos de "natureza técnica". Ele afirmou que tomou a decisão na segunda-feira, 30, mas que não anunciou no dia devido ao noticiário ligando seu nome a supostas irregularidades na votação da MP 608. "Não faço isso com nenhuma felicidade", declarou o peemedebista destacando que não tinha mais "condições de postergar" a decisão.

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