André Dusek|Estadão
André Dusek|Estadão

Cunha nega manobra e acusa presidente do Conselho de Ética de ferir o regimento

Presidente da Câmara diz que abertura da Ordem do Dia e suspensão da reuniões de comissões não foi manobra para evitar o andamento de seu processo de cassação; para ele, quem feriu o regimento foi José Carlos Araújo ao realizar sessão informal do colegiado

Carla Araújo, Daniel Carvalho e Igor Gadelha, O Estado de S.Paulo

19 Novembro 2015 | 17h04

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), negou que ele e seus aliados tenham manobrado nesta quinta-feira, 19, para impedir a sessão do Conselho de Ética. Para Cunha, quem desrespeitou o regimento da Casa foi o presidente do conselho, José Carlos Araújo(PSD-BA) ao esvaziar o plenário e realizar uma reunião informal do colegiado.

"Não fiz manobra nenhuma nem vou fazer. Não há razão para isso. Não estou preocupado", disse. "O presidente do Conselho de Ética é que hoje, ao que me parece, desrespeitou o regimento", disse Cunha. "Me parece que estão querendo atropelar o regimento interno e a Constituição visando buscar outro tipo de coisa". Mesmo diante da revogação da decisão da Mesa Diretora suspendendo a sessão desta manhã, os parlamentares contrários a Cunha fizeram uma sessão informal do Conselho de Ética que acabou se tornando um ato político contra o presidente da Casa.

Cunha se disse vítima de golpe por parte de alguns parlamentares petistas e chamou de "aberração" a sessão informal do conselho. "Na prática, tem uns do PT que reclamam que tem golpe contra eles, mas tentam dar o mesmo golpe. Isso que aconteceu", afirmou. "Este processo é político. Politicamente, os meus adversários, aos gritos, entre eles têm vários do PT, querem tentar aquilo que não obtiveram na eleição", disse, em referência à disputa pela presidência da Câmara, quando Cunha derrotou o petista Arlindo Chinaglia.

A sessão plenária foi esvaziada após um discurso duro da deputada Mara Gabrilli (PSDB-SP). Colocada de pé em sua cadeira de rodas, ela falou cara a cara com o presidente. Seus pares ficaram em silêncio. "Chega, senhor presidente. O senhor não consegue mais presidir. Levante desta cadeira, Eduardo Cunha, por favor".

Cunha minimizou as críticas feitas a ele durante a sessão plenária, de que estaria manobrando para evitar o andamento de seu processo de cassação, e disse que a suspensão da decisão de anular a reunião do Conselho Ética foi um ato simbólico. "Isso foi um gesto para mostrar que efetivamente eu não estava preocupado com a decisão (do Conselho de Ética). Eu o fiz depois que acabou o tumulto. Debaixo do tumulto eu não faria", disse.

Cunha negou que tenha receio de perder apoio para continuar na presidência da Casa e disse que não vai se constranger. "Já estou vivendo esse processo faz um tempo e nada disso vai mudar meu comportamento", disse. "Não vejo nem que enfraquece nem que fortalece."

Ele reforçou que apresentará uma defesa consistente e voltou a criticar o cerceamento de defesa no Conselho de Ética. "Para mim está configurado uma série de irregularidades", afirmou, ressaltando que pode recorrer dos procedimentos do Conselho na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e ao Supremo Tribunal Federal (STF) pelo que chamou de "violações regimentais e cerceamento de defesa". "Meus advogados vão falar no tempo devido e fazer os recursos que acharem que devem", disse.

Cunha disse ainda que "não perderia tempo" respondendo ao PSOL, que o acusou de usar o cargo para se defender. "O PSOL faz toda hora uma coisa, não dá para levar em consideração", disse.

Mais conteúdo sobre:
Eduardo Cunha PT Arlindo Chinaglia STF PSOL

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.