Cunha 'capturou' fisiologicamente o PMDB, diz Serraglio

O deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR) assumiu o papel de porta-voz da parte da bancada do PMDB insatisfeita com o acúmulo de cargos e o "fisiologismo" patrocinado pelo deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Em carta aberta distribuída pela bancada, Serraglio, que se destacou como relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Correios, disse que a "captura do partido" pelo grupo de Cunha "conduzirá às conhecidas peripécias da legislatura passada". Foi uma referência ao escândalo do mensalão, em 2005, quando veio à tona a compra de votos de parlamentares em troca de apoio ao Planalto.De acordo com reportagem do Estado publicada hoje, Cunha lidera uma bancada de pelo menos 22 deputados, não apenas do PMDB, mas também de partidos como o PSC. Em sua carta, Serraglio confirmou que Cunha adota práticas fisiológicas no esquema toma-lá-dá-cá. "Na apreciação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), durante meses a fio, o PMDB foi reportado como impondo barganha por cargo em Furnas. Sem a nomeação, o relatório não sairia. Na reunião do Conselho Político, no dia 24, o presidente Lula reclamou que o deputado Eduardo Cunha reteve por três meses o parecer, levando à derrubada da CPMF. Com certeza, o presidente não esperava isso de um partido da base", escreveu Serraglio.No documento, Serraglio criticou a concentração de poder nas mãos de Cunha. Ele lembrou que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) virou uma espécie de bancada do grupo. A CCJ já foi presidida pelo deputado Leonardo Picciani (PMDB-RJ), fiel escudeiro de Cunha. Na ocasião, Picciani, "agradecido, nomeou Cunha para a relatoria da CPMF". Hoje, a CCJ é presidida pelo próprio Cunha que, em retribuição, concedeu a Picciani duas das mais importantes relatorias da comissão: a da reforma tributária e a que trata das medidas provisórias (MPs).Ao tomar conhecimento da carta, Eduardo Cunha ameaçou processar Serraglio e negou qualquer concentração de poder. Segundo ele, sua única indicação foi a de Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas. Ele disse também que não lidera grupo nenhum e que as indicações para as comissões da Câmara foram feitas pelo líder do PMDB na Casa, Henrique Eduardo Alves (RN).

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