Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Cunha afirma que impeachment foi 'vulgarizado'

Presidente da Câmara disse que as pessoas que protestam pelo afastamento da presidente Dilma não entendem o que pedem

Daiene Cardoso, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2015 | 19h24

BRASÍLIA - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), minimizou nesta segunda-feira, 23, o resultado da pesquisa CNT/MDA que 59,7% dos entrevistados são favoráveis ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Para o parlamentar, a população não entende o real significado da medida, que ficou "vulgarizada".


"Não podemos tratar impeachment como recurso eleitoral. Está se vulgarizando muito essa palavra impeachment. Não podemos vulgarizar aquilo que seja o impedimento de um presidente da República. Temos que tratar isso com a seriedade devida", disse Cunha. "As pessoas respondem sem conhecer", completou, afirmando manter seu posicionamento contrário ao impedimento de Dilma. "Acho que não cabe pedido de impeachment", afirmou.


Quanto ao resultado de que 64,8% dos entrevistados consideram o governo Dilma ruim ou péssimo, ele disse não ver grande diferença do porcentual apresentado pela pesquisa Datafolha, divulgada na semana passada. De acordo com o levantamento, o governo da petista tem desaprovação de 62%. "É basicamente a mesma coisa, margem de erro", comentou.


Sobre a avaliação negativa do Congresso Nacional, o peemedebista disse que está fazendo um esforço para melhorar a percepção do Parlamento, inclusive com votações até as quintas-feiras, e que levará um tempo para uma reação positiva da sociedade. "As pessoas têm a sensação de que o Poder é igual, todos que ocupam o Poder. É preciso que a gente separe", declarou.


Reforma Política. Cunha disse ser contra o fatiamento da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma política proposta pelo relator Marcelo Castro (PMDB-PI). "Se eu for tramitar três PECs, é para não sair nada. A melhor maneira que a gente tem de impedir o processo é começar a subdividir", justificou. 


Assim que cumpridas as 40 sessões para discussão da proposta na comissão especial, disse Cunha, o plenário votará a matéria mesmo que todos os pontos não tenham sido aprovados no grupo. "Vamos avocar para o Plenário e vamos fazer uma semana de votação de reforma política, começando na segunda-feira e terminando até a hora que acabar", avisou.


Já a PEC que trata da redução do número de ministérios, o peemedebista - autor da proposta de 2013 - anunciou que a admissibilidade deverá ser apreciada em plenário nos próximos dias. "Se amanhã não der admissibilidade, pode pedir vista, vai dar outro dia, acabará dando. Quando concluir admissibilidade, normalmente instalarei a comissão especial, como faço com qualquer PEC. Vai seguir o seu ritmo", afirmou. Questionado sobre a possibilidade do Executivo não regulamentar a lei que muda o indexador da dívida de Estados, Cunha disse que cabe ao governo assinar os aditivos dos entes da federação para recompor a taxa de juros e que não precisa necessariamente de regulamentação. 


"O que dependerá de autorização é a contração de novos financiamentos pelos entes federados, que tem que ter a concordância da União, numa forma de restringir a expansão do crédito. O resto é autoaplicável", explicou. "Se os Estados não tiverem a aplicabilidade da lei, eles saberão buscar sua forma judicial para poder fazer implementar", completou.

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