Cunha acerta apoio do 'blocão' para presidir Câmara

Líder do PMDB e desafeto de Dilma recebe adesão de líderes de partidos insatisfeitos com governo, que somam 152 deputados na próxima legislatura

NIVALDO SOUZA, Estadão Conteúdo

04 de novembro de 2014 | 16h01

Atualizado às 00h22

Brasília - O líder do PMDB na Câmara, Eduardo Cunha (RJ), conseguiu fechar nesta terça-feira, 4, o apoio de quatro partidos para montar uma chapa e disputar a presidência da Casa em 2015. O deputado selou acordo com PTB, PR, PSC e Solidariedade (SD). Essas legendas terão 152 deputados dos 513 parlamentares da legislatura que toma posse em fevereiro.

A continuidade do “blocão” que desafia o Palácio do Planalto desde 2013, reunindo legendas da base do governo Dilma Rousseff descontentes com a presidente, foi a principal condição para o apoio ao nome do líder do PMDB. “Se o bloco for mantido, ele vai ter muita força em 2015. Ele já nasce com 160 deputados e será a segunda força da Câmara”, disse o líder do SD, Fernando Francischini (PR).


Os deputados alegam que o blocão é uma forma de garantir autonomia ao Legislativo e evitar que a Câmara fique “atrelada ao Palácio do Planalto”. Cunha tem usado esse discurso para atrair apoio como o obtido nesta terça no almoço realizado em seu apartamento.O presidente do SD, deputado Paulinho da Força (SP), saiu do encontro confirmando o acordo. “Foi feita essa discussão durante a semana (passada) e tem apoio da bancada do Solidariedade para a candidatura (de Cunha)”, disse.

O líder do PTB, Jovair Arantes (GO), falou em “um grande entusiasmo com a candidatura” do peemedebista em sua bancada, que vai decidir sobre isso nos próximos dias.


Mesmo diante dos apoios declarados, Cunha saiu do almoço afirmando que havia convocado “uma conversa bastante simples” sobre a intenção de formalizar o blocão para dar autonomia à Câmara em relação ao Planalto, resguardando o direito dos deputados de “sugerir, opinar e divergir” da pauta do governo. “Se a gente não pode divergir, não temos uma democracia.”


O peemedebista falou que vai conversar com outros partidos, a fim de compor uma chapa com apoio da maioria dos deputados. “É uma etapa de um processo em construção.”


Cunha considerou “não harmônica” a hipótese de enfrentar um candidato do PT nessa disputa. “O clima hoje não está harmônico para que o comando do Legislativo fique sob comando do Executivo”, referindo-se ao fato de o PT chefiar o Executivo.

 O discurso do presidente do PT, Rui Falcão, de que estaria disposto a apoiar um nome que não fosse petista foi recebido com ironia por peemedebistas. “O Rui Falcão deu uma boa declaração quando disse que o PT quer lançar candidato ou influir na eleição. Ele pode influir apoiando (Cunha)”, provocou o deputado Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA). “O governo vai fazer todo um trabalho (para evitar a eleição de Cunha), mas, se a gente amarrar bem, a gente ganha”, disse Paulinho da Força.

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