"Cumpri com minha obrigação", diz Humberto Costa

O ministro da Saúde, Humberto Costa, afirmou que ele é o maior interessado nas investigações da chamada Operação Vampiro e que foi ele o responsável pela abertura das diligências que já resultaram na prisão de 17 pessoas por fraudes nas licitações do Ministério. "Eu cumpri com a minha responsabilidade de gestor público, ao receber a denúncia, de mandar apurá-la tanto do ponto e vista administrativo quanto do ponto de vista policial", ressaltou durante entrevista no programa Roda Viva, da TV Cultura. "Fui eu que mandei para a Polícia Federal o pedido de abertura de investigação."O ministro contou que tudo começou após ele ter mandado investigar uma denúncia feita em setembro através de uma carta anônima. "Com a luz de Deus, mandei que a Polícia Federal investigasse, mandei fazer uma sindicância interna. Esses dois processos se somaram e terminaram chegando nessa Operação Vampiro", lembrou. Ele aproveitou para elogiar a PF por ter conseguido manter o sigilo das operações. "Se há uma operação policial que foi feita com competência e com seriedade foi essa Operação Vampiro da PF. Ela conseguiu realizar uma ação enorme sem que houvesse qualquer tipo de vazamento."Esquema funciona há mais de dez anosAinda durante a entrevista, Humberto Costa disse que não tem um levantamento completo do volume de recursos desviados pelos fraudadores investigados pela Operação Vampiro. Porém, ressaltou que o esquema vinha funcionando há muito tempo dentro do Ministério. "No dia 9 de abril eu recebi, no meu gabinete, os promotores que me disseram que esse era um esquema que estava funcionando há mais de dez anos e que nunca tinha sido devidamente desvendado", afirmou. "Por que isso não aconteceu eu não sei dizer."Investigação apartidáriaApesar da insinuação, Costa garante que as investigações não têm qualquer conotação político-partidária. "Nós não estamos fazendo esta investigação contra ministro A, B ou C, nem contra partido X, Y e Z. Esta é uma investigação a favor da população", frisou. "Nós não estamos dizendo que todas as compras que o Ministério da Saúde fez nos últimos anos, antes de nós chegarmos, foram compras superfaturadas. (...) Nós não podemos permitir que essa denúncia caia na vala comum da disputa eleitoral para que a gente possa ir a fundo apurar e punir as pessoas."Financiamento de campanhaAo ser indagado sobre o fato de ter recebido recursos de campanha para o governo do Estado de duas empresas que prestaram serviços durante a sua gestão na Secretaria da Saúde, o ministro disse: "As contas da minha campanha são totalmente transparentes e estão na internet", afirmou. "Não tendo havido nenhuma irregularidade na forma como esses contratos foram feitos e não houve -, eu estou absolutamente tranqüilo. É normal que num ano de eleição se requente esse assunto."

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