Cultura pode encerrar greve para evitar corte no salário

Ameaçados pelo governo com o corte do ponto e o não-pagamento dos salários de julho, os funcionários do Ministério da Cultura, em greve há 72 dias, podem retornar hoje ao trabalho. Durante reunião na terça-feira à noite, representantes do Ministério do Planejamento propuseram não cortar o ponto e negociar as reivindicações dos grevistas, se o movimento for suspenso. A proposta está sendo analisada pela categoria e, segundo um representante da direção da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público (Condsef), tudo indica que será aceita.No Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), onde o pessoal da área de recursos humanos recebeu ordens para não incluir na folha de pagamento deste mês todos os grevistas, o impasse pode se prolongar. A liderança grevista está dividida diante da proposta do governo, que prometeu ontem apresentar índice de reajuste salarial no prazo de 20 dias e analisar as outras reivindicações do movimento. O governo também deverá estudar formas de reposição dos dias de greve, para evitar o corte nos salários."Temos tudo para chegar a um acordo", disse ontem um dos diretores da Condsef, Sérgio Ronaldo. "Essa proposta de esperarmos mais 20 dias, após uma greve iniciada há 66 dias, é absurda", rebateu Arnaldo José Santa Cruz, do comando nacional da greve do Incra.Mesmo com o corte do ponto, funcionários de várias superintendências do Incra querem manter a paralisação, segundo Cruz. Eles acreditam que a decisão do Planalto de não pagar os salários será derrubada pela Justiça, por ser inconstitucional. " Em Santa Catarina, Sergipe, Rio Grande do Norte e Rio Grande do Sul nós já obtivemos liminares favoráveis na Justiça. No caso da Justiça gaúcha, houve vitória até no julgamento do mérito", afirmou Cruz.Até a noite de ontem ainda não havia perspectiva de solução para a greve dos funcionários técnicos e administrativos das universidades federais - que mobiliza cerca de 84 mil pessoas e vem provocando prejuízos no atendimento dos hospitais universitários. O assunto foi tratado na reunião de terça-feira entre o presidente Lula e representantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), ligada ao PT. Lula teria dito que analisa com atenção as reivindicações.Ontem à noite, o comando da greve voltou a se reunir com técnicos do Planejamento para analisar as reivindicações. Os reitores das universidades, que controlam as folhas de pagamento, apóiam a greve e não acataram a ordem de corte de ponto.

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