Cultura do sigilo já impediu liberação de documentos

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

13 de junho de 2015 | 02h02

A ampliação do sigilo de documentos com informações consideradas "incômodas" já aconteceu ao menos uma vez no Itamaraty. Em abril de 2012, um mês antes da entrada em vigor do decreto que regulamentou a Lei de Acesso à Informação, o órgão mudou de "confidencial" para "secreto" um telegrama que revelava articulações diplomáticas para favorecer a Vale na África.

Leda Lucia Camargo, embaixadora em Moçambique em 2004, sugeriu a escolha da filha de um integrante do governo moçambicano em um programa de acolhimento de alunos estrangeiros no Brasil. O objetivo seria conquistar a simpatia do burocrata, um dos responsáveis por decidir se a Vale ganharia o direito de explorar minas de carvão no país africano. O caso é contado no livro Moçambique, o Brasil é aqui - uma investigação sobre os negócios do Brasil na África, da jornalista Amanda Rossi, que será lançado em agosto.

Os documentos sobre o caso deveriam ter sido liberados para consulta em 2014. Com a reclassificação do sigilo, isso só acontecerá em 2019. Não basta haver lei de transparência quando o que impera é a cultura das trevas.

 

Tudo o que sabemos sobre:
Itamaratysigilo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.