Cubanos pediram para voltar a Cuba, diz ministério em nota

Pasta da Justiça informa que atletas afirmaram não querer refúgio e disseram 'amar o seu país'

07 de agosto de 2007 | 20h08

O Ministério da Justiça divulgou nesta terça-feira, 7, uma nota de esclarecimento sobre a deportação dos boxeadores cubanos Rigondeaux Ortiz e Erislandy Lara Zantaya, presos no último dia 2, no litoral do Rio de Janeiro. De acordo com o ministério, os dois atletas foram enviados a Cuba porque manifestaram vontade de ir embora e não quiseram pedir asilo político no Brasil. O episódio, segundo o ministério, "foi resolvido na forma da lei e da Constituição, com atendimento ao direito de escolha dos atletas".  O Senado vai investigar a deportação dos dois boxeadores cubanos que abandonaram a delegação durante os Jogos Pan-Americanos, disse nesta terça-feira o presidente do Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional (CRE), Heráclito Fortes (PFL-PI). Guillermo Rigondeaux e Erislandy Lara chegaram em Cuba no domingo após terem sido brevemente detidos perto do Rio de Janeiro por não carregar documentos. Os dois pugilistas internacionalmente reconhecidos abandonaram a delegação cubana, pensaram em ir à Europa, mudaram de idéia e decidiram que queriam voltar para casa, disse a polícia. De acordo com a nota do ministério, os atletas foram encontrados por policiais militares do Rio de Janeiro em Araruama (RJ) e detidos por falta de documentos. Foram então entregues à custódia da Polícia Federal de Niterói por orientação da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp) do ministério, onde prestaram o primeiro depoimento no mesmo dia. Segundo o ministério, nos depoimentos, os dois boxeadores afirmaram que foram eles que pediram a um pescador que chamasse a polícia para encontrá-los e disseram querer voltar para Cuba. "Nos seus depoimentos, os atletas afirmaram ainda  não desejarem refúgio, pois disseram 'amar o seu país, seus familiares, não ter problemas políticos ou religiosos, bem como serem personalidades em Cuba'", diz o texto, afirmando que os trechos citados foram retirados dos depoimentos.  No dia 4 de agosto, véspera de serem deportados, os dois atletas foram novamente ouvidos e repetiram querer voltar para seu País. "A Polícia Federal cumpriu todas as determinações legais que se aplicam ao caso e cometeria flagrante ilegalidade e desrespeito às normas internacionais se detivesse os atletas no Brasil contra a sua expressa manifestação de vontade", termina a nota.  Investigação A comissão do Senado deve formalizar um pedido na quinta-feira ao ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para falarem sobre o episódio. "Precisamos ouvir toda a história sobre isso", disse Fortes à Reuters.O presidente Fidel Castro, que havia inicialmente chamado os dois boxeadores de traidores, disse depois que eles seriam tratados justamente em Cuba.  Mas o líder da oposição no Senado, Arthur Virgílio (PSDB- AM), afirmou que é "revoltante" que o governo tenha usado a polícia para prender e deportar atletas que buscavam liberdade.Deserções geralmente ocorrem com equipes esportivas de Cuba em eventos internacionais e os documentos de viagem de atletas geralmente são guardados pelos líderes das delegações.  (Com Reuters)

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