Cruzes de madeira lembram mortos de Eldorado

Cerca de 300 sem-terra fizeram nesta terça-feira uma manifestação na frente do prédio do Tribunal de Justiça do Rio pedindo punição para os responsáveis pelas 19 mortes de sem-terra, há cinco anos, em Eldorado dos Carajás (PA) e em defesa da reforma agrária.O protesto, organizado pelo Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), teve a participação de padres e deputados do PT. Os manifestantes acenderam velas e ergueram 19 cruzes de madeira com os nomes dos agricultores mortos no confronto com a polícia do Pará. Em memória das vítimas do massacre de Eldorado dos Carajás houve um ato ecumênico, celebrado por padres do Rio e de Campos, no norte fluminense. "É uma vergonha para o País a Justiça não ter feito absolutamente nada para punir os responsáveis", disse Marina Silva, uma das coordenadoras do MST no Rio. No fim da tarde, uma comissão de integrantes do MST e os deputados Chico Alencar e Arthur Messias, do PT, foi recebida pelo desembargador Marcos Faver, presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do RJ.Antes do encontro, Alencar disse que o objetivo era debater a lentidão dos processos referentes a desapropriações de terra no Estado. "A Justiça é rápida para atender ao interesse dos poderosos, mas lenta e desinteressada em relação aos sem-terra", disse Alencar. No ato, os sem-terra queimaram uma cópia da medida provisória que pune responsáveis por ocupações de terras, considerada "injusta e ilegal". Do TJ os sem-terra seguiram para uma vigília em frente ao prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), na Glória.De acordo com o MST, há cerca de 1.500 famílias acampadas no Estado à espera de assentamento. No encontro com o presidente do TJ, os sem-terra pediram a interferência do desembargador na desapropriação de fazenda Cambahyba, em Campos - o processo corre na Justiça do Rio e Federal. O Incra iniciou nesta terça-feira as entrevistas com trabalhadores rurais inscritos no programa de cadastramento para obtenção de terras em 11 cidades das regiões norte e noroeste do Estado. Nesta quarta-feira, os sem-terra prometem seguir para o Palácio Guanabara, em Laranjeiras, na zona sul, onde vão tentar um encontro com o governador Anthony Garotinho (PSB).

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