Cronologia: a compra dos caças, uma negociação de 18 anos

Projeto de substituição dos Mirage franceses começou a andar no início do governo FHC

O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2013 | 16h38

A decisão do Brasil de optar pelos caças suecos Gripen para firmar parceria com a Força Aérea Brasileira no programa FX-2 encerra uma negociação de 18 anos. Confira como se deu o processo:

1995

Governo Fernando Henrique Cardoso anuncia o projeto FX, para renovar sua frota de caças do Brasil. Ideia é investir em torno de R$ 700 milhões para aquisição novos aviões para substituir os já antiquados Mirage.

2002

Nos primeiros dias de governo, Lula cancela o projeto FX

2006

Governo Lula anuncia um novo projeto, o F-X2, mais ambicioso e mais caro - que custará entre R$ 2,2 bilhões e R$ 3 bilhões. Pouco depois, três concorrentes são selecionados: o francês Rafale F3, da Dassault, o F-18 Super Hornet, da Boeing, dos EUA, e o sueco Gripen NG, da Saab. Ficam de fora da disputa, entre outros modelos, os da Sukhoi, russa, e Lockheed Martin, americana.

2009

Julho

Parlamentares brasileiros viajam à França custeados pela Dassault. Em setembro, o presidente Lula anuncia que a França é o único dos três candidatos disposto a "discutir a transferência de tecnologia".

Setembro

Dia 7- Presidente francês Nicolas Sarkozy visita o País e, no dia feriado nacional de 7 de Setembro, os governos do Brasil e da França anunciam que vão "entrar em negociações" para a compra dos Rafale.

Dia 8 - O anúncio causa mal-estar nos meios diplomáticos e o Brasil recua. O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirma que "o processo de seleção ainda não está encerrado e prosseguirá com negociações junto aos três participantes".

Dia 9 - Embaixada dos EUA divulga nota em que a Casa Branca se diz disposta a transferir tecnologia da produção dos caças ao Brasil.

Dia 10 - França reconhece que acordo não está fechado e que haverá ainda pelo menos "de oito a nove meses de discussão". Lula afirma que decisão é do presidente da República "e de ninguém mais".

Dias 17 a 21 - Vice-ministro da Defesa da Suécia vem ao Brasil e afirma que Brasil poderá comprar "dois caças suecos pelo preço de um" e que 40% dos aviões poderão ser fabricados no País. Prazo para entrega de propostas dos três finalistas é estendido de 21 de setembro para 2 de outubro

Dia 24 - Dois caças franceses Rafale, da Marinha francesa, caem no Mediterrâneo e um dos pilotos é dado como desaparecido. O Brasil afirma que episódio não interfere nas negociações.

Outubro

Dia 8 - O ministro Nelson Jobim declara que estará "fora de disputa" qualquer concorrente que pretenda restringir transferência de tecnologia.

Dia 14 - Em audiência na Câmara dos Deputados, representantes das três concorrentes - Boeing, Dassault e Saab - admitem que não vão ceder totalmente a transferência de tecnologia dos caças.

Novembro

Dia 12 - A francesa Dassault diz que parte dos caças poderiam ser produzidos no Brasil, se ele escolher o Rafale.

Dezembro

O governo volta a adiar a decisão, agora deixada para 2010.

2010

Janeiro

Dia 5 - Um relatório preparado pela FAB aponta o caça sueco Gripen NG como o mais adequado para o Brasil. O Rafale, defendido por Jobim e por Lula, fica em terceiro no estudo da Aeronáutica. No dia seguinte, o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, avisa que o relatório da FAB é apenas um subsídio à decisão do governo, que será política.

2013

Novembro

Proposta de Orçamento enviada pelo Planalto ao Congresso, para 2014, prevê pouco mais de R$ 8,4 bilhões para investimentos no Ministério da Defesa. O valor é um pouco maior do que os R$ 8,1 bilhões de 2013 e considerado muito abaixo do que o setor considera necessário.

Dezembro

Dia 8 - O relator do Orçamento de 2014, Miguel Corrêa (PT-MG), admite que não há nenhuma previsão para a compra dos caças e que o assunto "não é prioridade para o governo brasileiro neste momento".

 

 
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