Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

'Crônica de uma morte anunciada', diz Mourão sobre demissão de Vélez

Em viagem aos Estados Unidos, vice-presidente busca alinhamento com o vice americano e ressalta que é 'complementar' a Bolsonaro

Beatriz Bulla, correspondente, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 16h08

WASHINGTON - O vice-presidente, general Hamilton Mourão, afirmou na manhã desta segunda-feira, 8, que a demissão do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, era “crônica de uma morte anunciada”. Alvo de críticas dentro e fora do governo e pressões diversas, Vélez foi demitido nesta segunda-feira. O presidente Jair Bolsonaro informou em seu Twitter que Abraham Weintraub será o novo chefe da pasta.

“É uma pessoa de capacidade intelectual muito grande, uma pessoa bem intencionada, mas acho que acabou não conseguindo organizar as coisas lá no ministério. O presidente deu um tempo para ele tentar ajustar isso que estava acontecendo, não conseguiu. Na sequência, o presidente teve que trocar o ministro”, afirmou Mourão, em Washington.

Mourão terá uma reunião na tarde desta segunda com o vice-presidente americano, Mike Pence, na Casa Branca. A passagem do vice-presidente pela capital dos Estados Unidos acontece menos de 20 dias depois do encontro do presidente, Jair Bolsonaro, com o americano Donald Trump. Segundo Mourão, a intenção é “abrir diálogo” com o vice. “Como ele não participou das reuniões do presidente Bolsonaro com o presidente Trump, eu vou trazer também a visão que nós tivemos dessa passagem do presidente Bolsonaro e que para nós foi extremamente gratificamente”, afirmou.

Questionado sobre o posicionamento em relação à ideia do governo de Donald Trump de construir um muro na fronteira com o México para conter a imigração ilegal, Mourão repetiu o que já havia dito no sábado, que reitera a posição do presidente Jair Bolsonaro. Em entrevista à FOX News quando esteve nos EUA, Bolsonaro afirmou que apoia a proposta de construção do muro. “Estou que nem um paraquedas com ele, estou com ele e não abro”, disse Mourão.

Ele vem sendo criticado por uma ala do governo que vê a agenda do vice-presidente nos EUA como um contraponto a Bolsonaro. Mourão, no entanto, tem repetido que é “complementar” ao presidente. Ele voltou a rebater os críticos nesta segunda: “As pessoas não me conhecem. E aí pensam determinadas opiniões julgando que isso é o todo e não é o todo. Eu estou lado a lado com o presidente Bolsonaro, obviamente nosso objetivo é um só: ao longo desse mandato conseguir estabelecer uma nova base dentro do País de modo que a economia se recupere, a segurança pública volte a níveis aceitáveis a toda a população e que o País tenha uma nova rota a seguir de desenvolvimento sustentável”, afirmou a jornalistas, antes de participar de almoço na residência do embaixador brasileiro nos EUA.

Mourão também voltou a dizer nesta segunda-feira que a transição de governo na Venezuela depende de um processo interno do próprio País. “Já comentamos inúmeras vezes que é uma solução que tem que ser dada pelos quadros venezuelanos e o auxílio que a comunidade internacional está prestando é a pressão política e econômica sobre o regime do presidente Maduro”, afirmou. Os militares do governo brasileiro têm deixado claro que o País não apoiaria uma possível decisão americana por intervenção militar na Venezuela para forçar a saída de Nicolás Maduro.

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