Crivella sai na frente, mas empata no 2º turno

Ex-bispo tem 23% no Rio, seguido por Jandira Feghali, com 14%

Carlos Marchi, O Estadao de S.Paulo

19 de julho de 2008 | 00h00

Uma loteria. Assim se revelou a preferência de voto do eleitorado carioca, a pouco menos de 3 meses da eleição que vai escolher o novo prefeito do Rio de Janeiro. O deputado Marcelo Crivella (PRB) lidera a corrida eleitoral, com 23% das preferências, mas com a maior rejeição entre os candidatos. No segundo turno ele aparece em empate técnico nas simulações contra Jandira Feghali (PC do B) - os dois estão com 33% -, e contra Eduardo Paes (PMDB), no limite da margem de erro, quando ficou à frente por 35% a 29%.Na simulação de primeiro turno, depois de Crivella aparece uma fieira de candidatos com porcentuais próximos, mostrando que a preferência do eleitorado, no momento, está bem embolada: Jandira Feghali, com 14%, deputado Fernando Gabeira (PV) e Eduardo Paes, ambos com 8%, Solange Amaral (DEM), com 5%, deputado Chico Alencar (PSOL), com 4%, e deputado Alessandro Molon (PT), com 3%. Sobe a 32%, ainda, o universo de indecisos - que anulam, votam em branco ou não sabem.A liderança de Crivella é sustentada pelo apoio que ele recebe dos segmentos de baixa renda e baixa escolaridade. Entre os que ganham até 2 salários mínimos, por exemplo, ele chega a 26%, contra 11% dados a Jandira; entre os que ganham mais de 5 mínimos, porém, ele cai para 17% e empata tecnicamente com Gabeira (18%). Mesmo assim, o candidato do PRB ficou na frente do do PV entre os que têm curso superior (17%, contra 14% de Gabeira).Na pesquisa espontânea, Crivella foi citado como candidato preferido por 11% - o que deixa claro que é o mais conhecido pelo eleitorado. Atrás vêm Gabeira e Jandira, ambos com 5%, e Eduardo Paes, com 4%. Nessa modalidade, Crivella foi, disparado, o mais citado em todas as faixas de renda e escolaridade. Há uma soma de 69% de pesquisados, no entanto, que anunciaram voto nulo, em branco ou dizem não saber.O complicador da eleição carioca se avoluma ainda mais porque não há sinais de que os grandes eleitores, este ano, possam exibir o mesmo cacife e influência de eleições passadas. O governador Sérgio Cabral (PMDB), por exemplo, depois de começar o governo a todo vapor, agora é penalizado com uma avaliação decrescente: os eleitores cariocas lhe deram desta vez 27% de ótimo e bom, 43% de regular e 26% de ruim e péssimo. A avaliação do prefeito Cesar Maia é mais crítica: ele registrou 23% de ótimo e bom, 37% de regular e 36% de ruim e péssimo.Para tornar o cenário ainda mais impreciso, não é apenas Crivella que tem alta rejeição. Nada menos que 20% informaram que não dariam seu voto a Gabeira. Solange, por sua vez, foi rechaçada por 16%. Dos que apareceram com melhor performance, Jandira teve 13% de rejeição e Eduardo Paes, 12%. Todo esse quadro, analisa Márcia Cavallari, diretora do Ibope, torna indecifrável a tendência do eleitorado carioca mais à frente, quando começar a afunilar sua preferência. "O cenário atual está embolado e se torna mais difícil por causa das avaliações do governador e do prefeito", disse ela.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.