Crivela vê possibilidade de chegar ao 2º turno no Rio

Tudo apontava para um segundo turno entre Luiz Fernando Pezão (PMDB) e Anthony Garotinho (PR) na disputa pelo governo do Rio de Janeiro. Mas, nem tanto pelo próprio crescimento e mais pela queda do candidato do PR, o ex-ministro da Pesca e senador Marcelo Crivela (PRB) voltou a vislumbrar a possibilidade de continuar no páreo após domingo (28). Ele tem duas estratégias na reta final: aumentar os ataques ao governo Pezão/Sérgio Cabral e se reafirmar como o voto útil anti-Garotinho.

TIAGO ROGERO, Estadão Conteúdo

28 de setembro de 2014 | 18h08

"Vamos continuar com a tese de que uma mão suja tudo suja; de que o culpado pela corrupção na PM (Polícia Militar) é o governador", disse o publicitário Lula Vieira, marqueteiro da campanha de Crivella. Na última pesquisa Datafolha, divulgada na sexta-feira (26), Pezão lidera com 31% das intenções de voto. Garotinho tem 23%. Crivella, 17%. Com a margem de erro de três pontos porcentuais, estão tecnicamente empatados.

Já a rejeição a Crivella passou de 20%, no levantamento de 10 de setembro, para 14%. Dos quatro principais candidatos ao governo do Rio (lista que ainda inclui o petista Lindbergh Farias, em quarto com 12% das intenções de voto), o senador evangélico é o que tem hoje a menor rejeição. "Nossa mais importante vitória até agora nesta eleição não foi nem o crescimento do Crivella, mas a perda da rejeição", disse o marqueteiro.

Em 2008, Vieira levou Fernando Gabeira (PV) ao segundo turno na disputa pela Prefeitura do Rio contra Eduardo Paes (PMDB), ironicamente deixando para trás o mesmo Crivella, que ocupava o segundo lugar até dias antes da eleição. Naquela disputa, o já senador (eleito pela primeira vez em 2002, quando entrou na vida política, Crivella foi reeleito em 2010) classificou Gabeira como candidato que defendia "homem com homem e maconha".

Apesar do esforço para diminuir a rejeição, Crivella continua com frases polêmicas. Nesta eleição, já afirmou que a holandesa fabricante de aviões Fokker teve problemas porque os funcionários fumavam maconha e disse que, se a população da Baixada Fluminense for deixada "vivendo na miséria, essas pessoas migram para vir roubar na capital, onde está a maior riqueza".

Embora tente desvincular sua imagem da Igreja Universal (da qual é bispo licenciado), o sobrinho de Edir Macedo provocou polêmica ao afirmar que "homossexualismo não é doença, mas é pecado".

"Só peço uma coisa a ele: `Mestre, não fale uma frase que possa ser pinçada do contexto''", contou o marqueteiro. Nesta última semana, Crivella terá mais dois programas de TV, cada um com 1 minuto e 9 segundos, para tentar tirar votos de Pezão (8 minutos e 57 segundos) e Garotinho (2 minutos e 17 segundos). "Pezão tem duas novelas inteiras pra vender aquela imagem: `Eu sou humilde, sou o Nerso da Capitinga, como pão com margarina''. Nós vamos continuar mostrando quem é o Crivella, o que ele fez: é a alternativa mais consistente graças à sua honestidade e decência", afirmou Lula Vieira.

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