Críticas sobre 'Cansei' são 'vozes isoladas', diz OAB-SP

Movimento liderado por diversas entidades protesta contra impunidade e corrupção

02 de agosto de 2007 | 14h15

A liderança do "Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros", mais conhecido como "Cansei", atribui as acusações, de golpismo e ligações a interesses político-partidários, à desinformação ou "vozes isoladas que não sabem conviver com a democracia". A avaliação é do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil - Seccional São Paulo (OAB-SP), Luiz Flávio Borges D'Urso.   "Essas vozes que se levantam talvez não estejam acostumadas com a democracia e o respeito à diversidade de opiniões", declarou ele, em entrevista coletiva. Questionado sobre se referia-se ao PT e ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, D'Urso disse que a crítica não era generalizada e que acreditava que a maior parte dos críticos o fazia por desinformação.   Em defesa do "Cansei", ele ressaltou que o movimento não ocorre em um momento oportunista e que seu real objetivo é despertar a sociedade. "O foco do movimento se amplia muito além do acidente e do apagão aéreo, e quer despertar a sociedade da desilusão e desânimo em relação a problemas que historicamente são debatidos pela OAB-SP", disse D'Urso. "Lideramos este movimento porque temos um compromisso histórico com os valores e princípios do Estado democrático de direito", complementou.   Conforme já havia afirmado no lançamento do movimento, D'Urso voltou a dizer que as entidades que integram o "Cansei" não são contra o governo federal, mas sim a favor do Brasil e da cidadania. Segundo ele, não é a primeira vez que a OAB-SP é criticada por aderir a manifestações.   "Quando nos opusemos ao regime militar também fomos chamados de golpistas. Quando nos posicionamos a favor dos mendigos que sofreram violência na Praça da Sé, fomos chamados de esquerdistas. Quando nos posicionamos contrários às condições das penitenciárias, disseram que só defendíamos direitos humanos de bandidos", citou.   Desinformação e má-fé   No seu entender, as críticas ao movimento estão relacionadas à desinformação ou má-fé. "Mas não recuaremos um milímetro na defesa do cidadão, das instituições e do Estado democrático de direito", comentou.   D'Urso afirmou, no entanto, não considerar as críticas significativas e assegurou que manterá o minuto de silêncio, que será realizado no próximo dia 17, data em que completará um mês da tragédia com o Airbus A-320 da TAM, que vitimou fatalmente 199 pessoas. "Faremos um minuto de silêncio, às vítimas e familiares do acidente aéreo, exatamente para que a mobilização não seja utilizada por discursos que possam desvirtuá-la", explicou.   O presidente da OAB-SP negou que o "Cansei" tenha tido qualquer participação na manifestação do último domingo, em que familiares e amigos de vítimas do acidente da TAM promoveram uma passeata, onde houve também protestos de "Fora Lula". Ele ressaltou que a única manifestação pública do "Cansei" será o minuto de silêncio. D'Urso rejeitou ainda a idéia de que o movimento seja elitista. "Se temos pessoas de alto poder aquisitivo no movimento, temos também pobres, estudantes, trabalhadores e assalariados", exemplificou.   D'Urso disse que conversou na quarta-feira com o presidente da CUT, Arthur Henrique, e manifestou o apoio da OAB-SP ao "Cansamos", de iniciativa da central. "Também somos contra o trabalho escravo, o trabalho infantil e a exploração de trabalhadores", declarou.   Caminho certo   O presidente da OAB-SP afirmou que a simpatia da sociedade em relação ao "Cansei" é uma prova de que as entidades estão no caminho certo da democracia participativa. Sobre as críticas do presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, que acusou a OAB-SP de ser golpista, D'Urso disse que aceita antagonismos, mas não grosserias e indelicadezas por parte de colegas de profissão. "Se ele disse isso, não está refletindo a advocacia do Rio. Este não deve ser o comportamento de um advogado", opinou.   D'Urso atribuiu a desistência das redes de televisão de veicular o comercial do movimento à polêmica criada por divergências. Ele disse ainda que tem bom relacionamento com o governo, especialmente com os ministros Tarso Genro (Justiça) e Nelson Jobim (Defesa), e que está tentando marcar uma audiência com o presidente Lula para levar sua pauta de sugestões para solucionar parte dos problemas apontados pelo "Cansei".   Questionado sobre a relação do movimento com a marcha de 64 (Marcha da Família com Deus pela Liberdade), D'Urso rebateu: "Essa é a maior bobagem que eu ouvi". Ele garantiu também que seu relacionamento com o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), é meramente institucional. Já sobre as críticas do ex-governador paulista, Cláudio Lembo (DEM), D'Urso disse ter consideração e respeito por seu antigo professor, mas que não concorda com ele.

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