Críticas aos EUA marcam simpósio na EGN

O primeiro dia do simpósio organizado pelo Centro de Estudos Político-Estratégicos da Escola de Guerra Naval (EGN) para analisar as conseqüências dos atentados terroristas ocorridos em 11 de setembro nos Estados Unidos foi marcado, nesta quinta-feira, por críticas à política externa norte-americana e ao Ministério da Defesa brasileiro.Convidado pela EGN para encerrar o segundo painel de debates, o professor-titular de história contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Francisco Carlos Teixeira da Silva, afirmou para uma platéia de cerca de 300 militares que o Ministério da Defesa ?infelizmente perdeu, após os atentados, a primeira e mais importante oportunidade de justificar sua existência?.O historiador destacou, porém, o papel do Itamaraty na convocação do Tratado Internacional de Assistência Recíproca (TIAR), dias após os ataques atribuídos a Osama bin Laden.?O Itamaraty assumiu uma posição segura e eficaz ao utilizar o TIAR como biombo forte de proteção dos interesses e da soberania do País, evitando com rapidez que exigências americanas chegassem de forma unilateral. Setores da esquerda entenderam o ato como submissão aos interesses dos EUA, quando se tratava justamente do contrário?, disse Silva.O professor afirma, no entanto, que, com o passar dos dias, o governo começou a agir ?sem coordenação?, citando como exemplo a autorização para vistorias externas nos aeroportos do País e a ação na Tríplice Fronteira.?O ministério (da Defesa) ainda não apresentou um plano de formulação da estratégia de defesa nacional. No coração da crise, não vemos iniciativas práticas. Simpósios como este, organizado pela EGN, e outro realizado há duas semanas pela Escola Superior de Guerra (ESG) substituem iniciativas que deveriam ser do Ministério da Defesa?, afirmou o historiador.A assessoria de imprensa do ministério informou que as iniciativas da EGN e da ESG partiram de orientação do ministro Geraldo Quintão.De acordo com a assessoria, o professor fez ?críticas gratuitas? e ?desconhece atividades como cursos e seminários que estão sendo realizados em Brasília?.Também foi negada a informação de que não existiria um plano nacional de defesa. ?Vinte e dois estrategistas e especialistas na área de defesa de diversas universidades foram chamados para ajudar na elaboração da política de defesa do País, que já está nas mãos do ministro?, conclui a assessoria.O vice-almirante da reserva Fernando Manoel Fontes Diégues, ex-diretor da EGN, foi o único militar a falar nesta quinta (dos 13 palestrantes do simpósio, que termina nesta sexta-feira, três são militares).Diégues defendeu uma ?posição política multilateral? por parte dos EUA e a maior participação da ONU na discussão das ações militares no Afeganistão. ?Os EUA não vão ficar imunes, invulneráveis, com o sistema de defesa anti-mísseis?, afirmou.O diretor-adjunto do Centro de Estudos das Américas da Universidade Cândido Mendes, Clóvis Brigagão, especialista na área de relações internacionais, defendeu a retomada do papel da ONU no cenário mundial. ?Os EUA têm certa culpa no cartório por sua política externa, que incita uma ação violenta, mas isto não justifica jamais que se fique do lado do terror?, disse.Em sua palestra, o embaixador Affonso Arinos de Mello Franco também criticou a política externa dos EUA, citando a não adesão do País a tratados como o Tribunal Penal Internacional.Leia o especial

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