Críticas a Marta dominam o debate em São Paulo

A maior parte das críticas no primeiro debate entre os principais candidatos à prefeitura de São Paulo, na noite desta quinta-feira, na Rede Bandeirantes, visou a prefeita Marta Suplicy (PT), atacada todo o tempo pelos adversários. José Serra (PSDB) e Paulo Pereira da Silva (PDT) mostraram mais do que cordialidade: no segundo bloco, trocaram perguntas e as respostas de ambos pareciam treinadas, de tão semelhantes no conteúdo. O primeiro confronto deu-se quando Marta fez sua primeira pergunta ao candidato Paulo Maluf (PP) e escolheu o tema da dívida de São Paulo. ?A dívida começou no seu governo, Maluf, e foi ampliada no governo (Celso) Pitta. Como você explica o seu crescimento?? Espirituoso, Maluf manipulou números: ?Quando eu saí, a dívida era de R$ 6,5 bilhões. Quando Pitta saiu, era de R$ 14,5 bilhões. Com você, no último balanço, a dívida já somava R$ 30 bilhões. De Anchieta para cá, dava R$ 14,5 bilhões. Só com você chegou a R$ 30 bilhões.? Risadas O ex-prefeito aproveitou para distribuir críticas em volta: ?Mas você não é a única culpada. A política de juros altos foi implantada no governo passado, quando Malan estava na Fazenda e Serra no Planejamento?, disse. Marta rebateu: ?Eu não fiz a dívida, eu herdei. Está na hora de você assumir a sua parte?, brigou. Maluf voltou com força: ?A culpa é dos juros dos tucanos, mas o PT está no governo há um ano e meio e não mudou nada. Você nomeou cinco mil pessoas sem concurso, são R$ 300 milhões por ano, gastou R$ 200 milhões no corredor da 9 de Julho. São Paulo não agüenta você mais quatro anos com essa gastança toda?, disse ele, arrancando risadas da platéia. Antes, Serra tinha se entendido muito bem com Paulinho. Sorteado como primeiro a perguntar, ele escolheu o candidato do PDT e lhe pediu para avaliar a política de emprego (tema de campanha do pedetista). A seguir, Paulinho perguntou a Serra e escolheu como tema a saúde ? assunto predileto de Serra. Os dois apontaram como solução a diminuição dos impostos e a extinção das taxas. Irritação Mais adiante, no terceiro bloco, a candidata Luiza Erundina destacou-se nas críticas a Marta. Bateu duramente nas licitações para recolhimento de lixo e disse que a Prefeitura se dispôs a construir aterros sanitários que deveriam ser feitos pelas empresas. E atacou os gastos de campanha de Marta. "A gigantesca campanha de Marta fere a Lei Anti-Corrupção Eleitoral. É profundamente desigual. Quando denunciei que havia loteamento de cargos, ela ficou irritada. Mas há. Serra acabou beneficiado no terceiro bloco, quando lhe coube responder a uma pergunta da candidata Havanir Nimitz e o tema foi o que ele melhor domina, a saúde. Ele aproveitou para exaltar sua gestão no Ministério da Saúde, lembrando a criação dos genéricos, as campanhas contra a aids, que foram premiadas internacionalmente e a diminuição nos preços das vacinas. Sapato Se Havanir ajudou Serra, acabou sendo uma pedra no sapato de Marta, que lhe fez a pergunta da vez, optando por um tema que lhe seria favorável ? os CEUs. Marta desfiou números sobre abertura de vagas, doação de uniformes escolares, dados que lhe são favoráveis, mas Havanir, com seu estilo histriônico, rebateu com um trocadilho: ?O CEU pode ser bom para meia dúzia. É 10% no CEU e 90% no inferno?. No final, Serra e Maluf concordaram em manter a Sabesp no âmbito do Estado. Em debate com Serra, Marta desfiou o que disse serem êxitos de sua gestão na área da saúde. Serra rebateu, dizendo que a saúde era um problema em São Paulo porque nunca foi prioridade da atual prefeitura.

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