JF Diorio/AE
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Criticada, Ana de Hollanda deixa Assembleia sob escolta

Ao sair de audiência, ministra da Cultura pede ajuda da PM para evitar perguntas sobre crise de sua gestão

André Mascarenhas e Vera Rosa

10 de maio de 2011 | 23h00

No olho de um furacão político e administrativo que pode custar-lhe o cargo, a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, usou nesta terça-feira, 10, o auxílio da PM paulista para evitar a imprensa após audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo. Na saída do encontro, que reuniu representantes de entidades culturais, produtores e membros da classe artística, houve um princípio de tumulto e um repórter foi agredido por policiais e membros do cerimonial da Casa.

 

A confusão aconteceu no momento em que Ana deixava a audiência, no início da noite. A assessoria da ministra informou ter pedido ao cerimonial da Assembleia que deixasse o caminho livre entre o auditório Paulo Kobayashi e o carro oficial, em uma das saídas do Palácio Nove de Julho. A alegação era de a ministra estava atrasada para o voo de volta à Brasília. Policiais foram chamados para formar um cordão de isolamento de modo que o contato de Ana com os repórteres fosse reduzido. No caminho, houve empurra-empurra, e a ministra não respondeu a nenhuma pergunta.

 

Ana é alvo de críticas desde que assumiu a pasta. Os ataques partem quase sempre de setores que consideram as mudanças propostas pela ministra um retrocesso em relação às políticas adotadas pelo ex-ocupante da pasta pelo PV Juca Ferreira. A situação ficou mais delicada com a revelação, pelo Estado, de que a ministra recebeu diárias por dias não trabalhados no Rio.

 

Ao chegar à Assembleia, por volta das 14h, Ana conversou rapidamente com os jornalistas e confirmou que irá devolver parte dos valores das diárias, mas negou que tenha ocorrido qualquer irregularidade no pagamento. "Quero deixar claro que grande parte desses dias eu estava em compromissos informais com gente da cultura", afirmou. "Pela nota da CGU, não tem nada de ilegal. Foi só uma recomendação", completou. Ela confirmou que irá devolver o dinheiro.

 

Na audiência pública de ontem não foi diferente. Embora líderes do PT tenham procurado mostrar unidade no apoio à ministra, não faltaram críticas às políticas do ministério para direitos autorais, patrimônio histórico e o contingenciamento de verbas para projetos. Na avaliação de deputados petistas ligados à cultura, as críticas partem principalmente de ativistas da cultura digital, que foram importantes para a eleição da presidente Dilma Rousseff.

 

Apoio do Planalto. Dilma avalia que Ana enfrenta intenso fogo amigo por parte de setores do PT e ainda não conseguiu mostrar serviço, mas, mesmo assim, não pretende demiti-la. A presidente vai dar mais uma chance à ministra, que, no seu diagnóstico, tem capacidade para reagir ao tiroteio, tomar iniciativas e dar a volta por cima.

 

Nos bastidores do Palácio do Planalto, o comentário é o de que Ana virou a "Geni" do governo, em que todos jogam pedra (Detalhe: a canção "Geni e o Zepelim" é de Chico Buarque de Hollanda, irmão da ministra).

 

O governo considera que Ana de Hollanda enfrenta dois problemas cruciais: não conquistou apoio de sua equipe e até agora não disse a que veio. Sua situação é de fragilidade política, mas Dilma não age sob pressão.

 

Para a presidente, de todos os fatos postos na mesa contra a ministra, o que mais pesou até agora foi o recebimento de diárias de viagem em fins de semana no Rio, Depois que passar a votação do Código Florestal, Dilma quer reunir novamente os núcleos de governo para reforçar a ordem de contenção dos gastos e atenção às despesas fora do horário de expediente. "A presidente está obcecada com a criação de um Código de Ética do Executivo", observou um ministro.

 

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