Crítica do STF sobre vazamento é 'injusta', diz procurador-geral

Presidente do Supremo afirmou na 3ª que o Ministério Público é conivente com o vazamento de dados sigilosos

Felipe Recondo, de O Estado de S. Paulo,

02 de julho de 2008 | 16h14

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, respondeu nesta quarta-feira, 2, às críticas feitas na última terça ao Ministério Público pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, sobre o vazamento de informações sigilosas de investigações. Mendes chegou a afirmar que a atitude de quem vaza dados sigilosos é "coisa de gângster".   Veja também: Mendes pede punição a abusos de autoridade Vazar dados é 'coisa do passado' na PF, diz Tarso   Em nota divulgada pela assessoria do MP, Antonio Fernando cobrou serenidade e respeito. "Qualquer debate destinado ao aprimoramento da atuação do Estado exige das autoridades que dele participam um comportamento sereno e respeitoso às Instituições e aos seus membros", afirmou na nota.   Antonio Fernando disse que o MP aceita críticas, mas rebateu as declarações de Gilmar Mendes. "Afirmações desatentas à realidade e que revelam apenas opinião estritamente pessoal sobre a sua atuação institucional nos diversos níveis são inaceitáveis", acrescentou. Ainda na nota, o procurador afirma que as declarações são "injustas, inadequadas e inteiramente improcedentes".   Na última terça, o presidente do Supremo, em entrevista coletiva, afirmou que o Ministério Público é conivente com o vazamento pela Polícia Federal de informações sigilosas para prejudicar ou retaliar juízes. E disse que cobrou do procurador as conclusões de representações feitas ao MP por conta desses vazamentos.   "Hoje mesmo falei com o doutor Antonio Fernando que o STF vai exigir que essas representações que foram encaminhadas tenham curso, porque em geral não recebemos nem notícia de qual é o seu estado, mesmo a procuradoria delas não cuida, porque de certa forma se sente um pouco co-autora, cúmplice, conivente com a prática (vazamento) que se realizou", afirmou o presidente do STF.

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