Crítica de FHC a Dilma gera discussão no Senado

Para Tasso Jereissati (PSDB-CE), ministra é 'liderança de silicone. É bonita por fora e falsa por dentro'

Ana Paula Scinocca, Agência Estado

09 de fevereiro de 2010 | 19h47

A campanha presidencial chegou ao Plenário do Senado. As críticas do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que chamou a pré-candidata do PT, a ministra Dilma Rousseff, de "reflexo de líder" ecoaram e dominaram a sessão da Casa nesta terça-feira, 9. Ex-presidente do PSDB, o senador Tasso Jereissati (CE) subiu à tribuna para dizer que a candidata governista é como silicone. "A Dilma é uma liderança de silicone. É bonita por fora e falsa por dentro", atacou.

 

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A frase foi a senha para o início de um debate de cerca de duas horas no qual o PT de Dilma levou desvantagem. Apenas três senadores do partido da ministra e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Eduardo Suplicy (SP), João Pedro (AM) e Serys Slhessarenko (MT) - estavam no plenário e responderam a Tasso. Apesar do tema polêmico o clima se manteve tranquilo sem bate-boca.

"Ela é uma liderança feita a partir de um invólucro montado por uma equipe de marketing que usa números que não são verdadeiros", prosseguiu Tasso. Suplicy foi o primeiro petista a falar, mas limitou-se a reconhecer que programas sociais tiveram início no governo de FHC e foram "ampliados" na gestão de Lula.

Em seguida, foi a vez de João Pedro sair em defesa da ministra candidata. "Não se pode tratar uma ministra de Estado como falsa líder ou líder de silicone. Essa crítica que é feita, de que ela não foi prefeita nem governadora também foi feita ao Lula e veja hoje a aprovação dele", retrucou o petista.

O senador Heráclito Fortes (DEM-PI), primeiro secretário do Senado, falou em seguida advertindo que o discurso de Tasso seria "o primeiro de uma série que precisam ser feitos para alertar o povo". E continuou: "Estamos vivendo um clube de falsa felicidade."

Última petista presente, Serys apelou para a questão de gênero ao dizer que Dilma estava sendo vítima de discriminação por ser mulher. "Dilma tem luz própria sim e com muito brilho. Talvez esse brilho esteja ofuscando o seu valor", filosofou. "Dilma nunca esteve à sombra de Lula, mas sim ao lado do presidente o tempo todo. Ela não faz campanha. Ela está trabalhando pelo Brasil."

Vice-presidente do PSDB, Marisa Serrano (MS), apressou-se em responder a Serys. "Essa coisa que mulher vota em mulher é balela. Mulher vota em gente competente e de conduta firme", disse. "Dilma é ventríloquo e se escora no presidente Lula."

O senador Sérgio Guerra (PE), presidente do PSDB, também não perdeu a oportunidade de criticar a ministra de Lula e afirmou que a tese do PT de comparar os governos de Lula e de FHC não passa de "coisa de marqueteiro". "Se não houvesse o Lula, a Dilma teria que disputar, honrosamente, a eleição para vereador", afirmou.

Para ilustrar a diferença nas duas campanhas, Guerra disse que enquanto o PSDB tem de resolver o nome do candidato a vice na chapa de Serra, o PT ainda tem que escolher o candidato governista. "Eles têm de resolver o problema do Ciro (Gomes, deputado do PSB que integra a base do governo). O Ciro pelo menos fala e pensa. Se a Dilma pensa ninguém nunca ouviu", afirmou.

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