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Crítica à CBF gera mal-estar na campanha petista

Post que ataca presidente da entidade em site teria irritado Dilma e provocado discussão com Franklin Martins; ele nega atrito

FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2014 | 02h01

Um texto postado na quarta-feira no site Muda Mais, vinculado à campanha à reeleição de Dilma Rousseff, causou constrangimento à presidente e provocou um atrito com o Palácio do Planalto.

Segundo relato de pessoas ligadas à campanha, Dilma ficou "muito irritada" com o post que atacava o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin - que estará ao lado dela, hoje, no Maracanã, para a entrega da taça ao campeão da Copa do Mundo (mais informações na pág. A8).

Para tentar contornar o mal-estar criado pelo site de apoio à sua campanha, a presidente pediu que o post fosse retirado do ar, ou que seu autor assumisse a responsabilidade pelo texto. Os pedidos não foram atendidos.

O incidente teria levado a uma conversa dura entre o ex-ministro Franklin Martins, responsável pelo monitoramento das redes sociais, e a própria presidente, o que gerou especulações de que ele poderia deixar a campanha.

Ontem, procurado pelo Estado, o ex-ministro negou a informação. "Não teve estresse algum entre eu e a presidente", afirmou Franklin.

O Planalto nega que Dilma tenha conversado com o ex-ministro sobre o conteúdo do Muda Mais. O comitê de campanha também não confirma a informação.

'Arena'. O texto do post dizia que "a terrível eliminação da seleção na Copa do Mundo reforçou o que há muito se dizia: a organização do futebol brasileiro está ultrapassada e presa ao nome de poucas figuras que revoltam o torcedor faz algumas décadas".

Afirma ainda que depois de ficar "por infindáveis 23 anos nas mãos de Ricardo Teixeira", a CBF passou, em 2012, para o comando de José Maria Marin.

"Marin foi deputado estadual pela Arena e em 1975 proferiu um discurso contra a TV Cultura, que por muitos é visto como um dos desencadeadores da morte de Vladimir Herzog, ex-diretor de telejornalismo da Cultura, encontrado morto 16 dias depois" dizia o texto, que ontem permanecia na página.

O post criou uma queda de braço entre integrantes da própria campanha de Dilma à reeleição. Um dos dirigentes concordou com a presidente e foi contra o conteúdo do texto, alegando que era "inadmissível" atacar Marin no momento em que todos estão trabalhando juntos para que o torneio seja concluído com o maior sucesso possível.

'Constrangimento'. Segundo informações obtidas pelo Estado, a presidente entendeu que a postagem criticando Marin criou um "constrangimento desnecessário". O grupo da campanha petista que defendia a veiculação do post, contudo, achou que não deveria voltar atrás, embora tenha reconhecido que o tom foi exagerado. Mas não aceitou retirar o post do site.

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