Critério de mapa impacta eleição distrital

Conforme método usado para dividir São Paulo em 55 áreas de votação, haverá vantagens e desvantagens para cada partido envolvido na disputa

DANIEL BRAMATTI, RODRIGO BURGARELLI, O Estado de S.Paulo

04 de maio de 2015 | 02h01

São Paulo - O Estadão Dados encontrou dois resultados opostos ao simular a divisão da cidade em 55 distritos - um para cada vaga na Câmara Municipal -, levando em consideração a posição geográfica e o número de eleitores nos quase 2.000 locais de votação em São Paulo, conforme regras aprovadas pelo Senado recentemente.

Em uma das simulações, o PT ficou à frente do PSDB em 29 distritos e perdeu em 26. Na outra, os tucanos levaram vantagem sobre os petistas, com placar de 28 a 27. A diferença foi a forma de desenhar o mapa dos distritos - conforme o critério utilizado, haverá vantagens e desvantagens para cada partido envolvido na disputa.

O projeto que estabelece o voto distrital nos municípios com mais de 200 mil habitantes, de autoria do senador José Serra (PSDB-SP), ainda precisa ser votado pela Câmara dos Deputados para entrar em vigor, mas já causou impacto nos debates sobre a reforma política. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Dias Toffoli, já se manifestou a favor da mudança.

A proposta de Serra estabelece que os distritos deverão ser contíguos e de densidade eleitoral similar. A diferença entre o número de votantes no maior e no menor distrito não poderá ser superior a 5%. Em cada um deles será eleito apenas um vereador. E caberá à Justiça Eleitoral definir como será a distribuição do eleitorado nos distritos.

Simulações. Todas as exigências do projeto foram observadas pelo Estadão Dados em suas simulações. Além delas, apenas a geografia foi levada em conta nos desenhos dos mapas, feitos a partir dos eixos sul-norte e leste-oeste da cidade.

Só depois que os mapas estavam prontos é que foi feita a análise do impacto eleitoral da distritalização, com base no desempenho dos candidatos a vereador do PT e do PSDB em cada local de votação na última disputa municipal, em 2012.

Trata-se de uma análise simplificada, que considera a votação de apenas dois partidos. Se fosse levado em conta o desempenho individual de cada candidato, haveria alterações mais significativas no resultado mesmo com pequenas mudanças nos mapas.

Nos Estados Unidos, são os próprios políticos que definem o desenho dos distritos eleitorais. Tanto o partido Democrata quanto o Republicado já foram acusados de procurar se beneficiar politicamente ao redefinir as fronteiras dos distritos.

A prática é comumente chamada de "gerrymandering" - alusão a um político de sobrenome Gerry que criou um distrito em forma de salamandra.

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