Cristovam propõe plebiscito e abre polêmica

Senador sugere consulta popular sobre se o Congresso deve continuar funcionando e é chamado de ?golpista?

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

08 de abril de 2009 | 00h00

Uma bate-papo descontraído no Senado, típico das segundas-feiras de plenário vazio, transformou-se em dor de cabeça para o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que teve de se explicar ontem durante todo o dia. A proposta de fazer um plebiscito para saber se a população quer manter aberto o Congresso foi duramente criticada até pelo amigo Roberto Freire (PE), presidente do PPS: "É uma asneira golpista vinda de um democrata e homem de bem", reagiu.Segunda-feira, dialogando no plenário com o colega Paulo Paim (PT-RS), Cristovam afirmou, ao tratar das denúncias sobre os desmandos administrativos e políticos do Senado: "Eu disse, domingo, senador Paim, numa entrevista na rádio, que a reação é tão grande hoje contra o Parlamento, que talvez fosse a hora de fazer um plebiscito para saber se o povo quer ou não que o Parlamento continue aberto. Muitos me criticaram, porque disseram que poderia haver, sim, uma votação propondo fechar. Mas, e se o povo quiser? O nome disso é golpe? Não, o nome disso não é golpe. Pode até ser equívoco, mas não seria golpe."Cristovam subiu ontem à tribuna para se explicar. A proposta foi feita em meio à polêmica causada por sua emenda à Constituição que prevê a criação de uma bancada de deputados para representar brasileiros imigrantes. Apesar de ter sido aprovada com os votos de 59 senadores, a proposta teve repercussão negativa.Em apenas 15 dias, o pedetista tornou-se o segundo senador a falar sobre fechamento do Congresso. O primeiro foi Heráclito Fortes (DEM), ao falar de denúncias sobre o Senado."Não é possível imaginar um futuro sem democracia no Brasil. Não é possível imaginar democracia sem o Congresso. Mas não se enganem: o Congresso não dura para sempre se não tiver legitimidade diante da opinião pública, se não for capaz de virar o centro das aspirações, dos desejos, da pauta do povo", discursou CristovamEle contou ter recebido dezenas de e-mails - a maioria favorável ao plebiscito. "Não sou favorável ao plebiscito, mas sou a favor de que se discuta o papel do Congresso", disse o pedetista, frisando estar triste com a quantidade de mensagens a favor da consulta. "Os que criticaram o plebiscito me alegraram."No discurso de cerca de uma hora, Cristovam se disse "defensor do Congresso aberto". "Sou democrata, não preciso passar atestado. Agora, precisamos despertar e abrir as cabeças dos parlamentares de que estamos nos distanciando das aspirações, dos sonhos, do amor do povo e, se esse distanciamento for além de certo ponto, haverá ruptura."A sugestão de plebiscito foi recebida com reservas pelos colegas de Senado. "Isso só pode ser brincadeira", afirmou o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN). "Foi uma sugestão infeliz", lamentou o líder do PTB, senador Gim Argello (DF). "Não existe ironia com democracia. Que se conserte o Parlamento, mas não se acabe com ele", reagiu a senadora Ideli Salvatti (PT-SC).

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