Cristovam Buarque vai depor em CPI no DF

O ex-governador do Distrito Federal Cristovam Buarque (PT) decidiu prestar depoimento à CPI instalada na Câmara Distrital de Brasília para apurar as denúncias de desvio de R$ 20 milhões da Associação dos Servidores da Fundação Educacional (Asefe). Por discordar da composição da CPI, comandada apenas por adversários políticos do PT, o partido vinha aconselhando petistas envolvidos no caso a se recusarem a depor. Mas Cristovam disse que não há orientação formal nesse sentido e que, por isso, falará à CPI para dar seus esclarecimentos. O ex-governador afirmou que só não vai aparecer na comissão parlamentar de inquérito da Asefe se as sessões forem secretas. "Não tenho nada a esconder e, por isso, as reuniões têm de ser abertas. Vou responder a todas as perguntas e aproveitarei para listar as denúncias de corrupção envolvendo o governador do DF, Joaquim Roriz (PMDB)", garantiu. O petista será chamado a depor na CPI porque é suspeito de ter recebido dinheiro desviado da Asefe para sua campanha eleitoral de 1998. Outros políticos da oposição, entre eles o ex-deputado petista Chico Vigilante e o deputado Agnelo Queiroz (PC do B-DF), também foram envolvidos no caso. Em conversa gravada e divulgada por jornais e emissoras de televisão, um ex-dirigente da entidade fez a denúncia e relacionou os supostos beneficiários dos recursos. Segundo Cristovam, provavelmente houve má gestão na entidade, que em nenhum momento teria lhe repassado dinheiro. Ele chegou a dizer que se constatar que os eleitores do DF duvidarem de sua palavra deixará a política. "Políticos corretos começam a se perguntar se vale a pena continuar no processo político", afirmou. O ex-governador garantiu que, até agora, as pesquisas de opinião encomendadas pelo PT não indicam qualquer sentimento de desconfiança entre seus eleitores. Mas o petista admitiu que, diante das denúncias, a chance de ser indicado candidato a vice-presidente na chapa encabeçada por Luiz Inácio Lula da Silva acabou. "O eleitor do DF confia em mim, mas, no resto do País onde os eleitores não me conhecem muito bem, o sentimento de desconfiança deve estar presente." Doação de Ricardo SérgioCristovam Buarque confirmou a doação para sua campanha eleitoral de 1998 no valor total de R$ 25 mil feita por sócios e empresas ligadas ao ex-diretor do Banco do Brasil Ricardo Sérgio, ex-caixa de campanha do presidenciável tucano José Serra. "Não há nenhuma ilegalidade na doação. Além disso, naquela época Ricardo Sérgio não era alvo de nenhuma denúncia", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.