Cristina quer moeda local para comércio

Sem usar dólar, negócios não sofreriam com variação cambial

Jamil Chade, GENEBRA, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

A presidente eleita da Argentina, Cristina Kirchner, vai pedir a seu colega do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, que seja acelerada a adoção de moedas locais nas transações comerciais entre os dois países. Na segunda-feira, Cristina fará sua primeira viagem para encontro exclusivo com um chefe de Estado e escolheu o Brasil como destino. "Nossas relações com o Brasil são muito boas e o fato de que o escolhemos como o primeiro destino é algo simbólico", afirmou Jorge Taiana, chanceler argentino. Ele admitiu, porém, que o tema da ampliação do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) não fará parte dos temas do primeiro encontro entre Cristina e Lula. Para o chanceler brasileiro, Celso Amorim, ou o conselho é reformado ou ele perderá relevância. Taiana, que será mantido no cargo, evitou dar detalhes da agenda da reunião entre os dois governos. "Vamos repassar todos os temas", assegurou o chanceler. Segundo ele, a reunião não ocorrerá apenas com Lula, mas também contará com a presença de vários ministros. "Será uma reunião de trabalho", disse. CÂMBIOO chanceler argentino confirmou que um dos pontos que a presidente quer ver abordados é a adoção de moedas locais nas transações no bloco. "Esse será um tema em que queremos ver avanços logo", afirmou. A iniciativa já foi tomada em meados do ano, mas enfrenta problemas para ser implementada.A idéia é que, sem precisar usar o dólar, as variações cambiais entre os dois países não afetem os fluxos de comércio, como ocorreu nos anos anteriores. Outro ponto é a coordenação macroeconômica, uma eterna promessa do Mercosul, que caminha a passos lentos. Apenas com tal coordenação é que os países do bloco poderão tratar, em algum momento, de uma moeda única. Taiana, porém, admitiu que a polêmica em torno do Conselho de Segurança da ONU não entrará na agenda de segunda-feira. O Brasil reivindica um lugar permanente no principal órgão das Nações Unidas, hoje privilégio de apenas cinco membros (China, Reino Unido, Estados Unidos, França e Rússia). Buenos Aires, porém, quer evitar que essa ampliação signifique a adesão automática do Brasil a um eventual assento destinado à América Latina. FRUSTRAÇÃOO chanceler Celso Amorim admite que o governo brasileiro começa a ficar frustrado com a falta de avanço no debate sobre a ampliação do Conselho de Segurança, que já dura mais de dez anos sem uma solução. "Ou o Conselho de Segurança se reforma ou ficará menos relevante. Quem perde com isso é a ONU", disse o ministro.Segundo Amorim, quando o presidente Lula sugeriu no início da semana que um grupo paralelo de países fosse estabelecido na ONU para que também servisse de mecanismo de consultas para as decisões da entidade, tomou uma iniciativa que não é mais que "um espelho de uma frustração" pela falta de avanço. A sugestão de Lula foi feita ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon."Não se trata de um órgão para substituir o Conselho de Segurança. Mas, como em todas as organizações, existem mecanismos para permitir também o contato e consultas com outros países", afirmou.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.