Cristina Kirchner reafirma 'associação estratégica' entre Argentina e Brasil

Em visita a Brasília, candidata defendeu integração energética na região.

Denize Bacoccina, BBC

03 de outubro de 2007 | 21h05

A senadora e candidata favorita à Presidência da Argentina, Cristina Kirchner, disse nesta quarta-feira, em visita ao Brasil, que veio "reafirmar a associação estratégica entre Argentina e Brasil".Ela também defendeu a integração energética na região, envolvendo ainda Bolívia e Venezuela, países que considera "chaves" para o abastecimento da região.Cristina disse que Brasil e Argentina vivem "um período inédito de aproximação, uma sintonia fina" e que devem expandir a associação estratégica para outros países."Além de Argentina e Brasil, que ela se expanda para toda a região para se constituir um bloco econômico e político. O mundo está se configurado em blocos e nosso desafio é o aprofundamento do que formamos, como sócios estratégicos no Mercosul", afirmou a senadora em uma rápida entrevista, após reunião no Itamaraty com um grupo de empresários brasileiros com investimentos na Argentina.O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que recebeu Cristina em almoço no Palácio da Alvorada, convidou a candidata a, se for eleita no pleito do dia 28, visitar o Brasil antes mesmo da posse, em dezembro.Cristina Kirchner é a candidata favorita em todas as pesquisas de intenção de voto publicadas nos últimos dias, mas os números não indicam se ela vence já no primeiro turno.O assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que participou do encontro, disse que Cristina e Lula falaram sobre os interesses comuns em projetos de cooperação energética envolvendo também a Bolívia e a Venezuela. "Eu acho que este programa, a se cumprir na Argentina, nos permite prosseguir essa integração", afirmou Garcia. Além de economia, a cooperação entre Brasil e Argentina pode se dar também na área científica e tecnológica, segundo ele. "Inclusive em alguns domínios de ponta, como é o caso de energia nuclear", disse.Em apresentação aos empresários, Cristina prometeu continuidade em relação ao governo do marido, Néstor Kirchner, e disse que a oferta de energia - um dos grandes problemas do país atualmente - será ampliada em 10% até 2009.O assessor especial disse que ela não pediu apoio do Brasil para a eleição. "Evidentemente a eleição na Argentina tem outras questões, e o Brasil é um capítulo mínimo", afirmou.Cristina também foi questionada pelos empresários sobre a real taxa de inflação, que alguns analistas dizem estaria em torno de 17% ao ano. "Ela corrigiu os números e disse que é inferior a 10% de agosto a agosto", afirmou Garcia.A candidata veio ao Brasil acompanhada dos ministros das Relações Exteriores, Jorge Taiana, da Economia, Miguel Peirano, e do porta-voz da Presidência, Miguel Núñez.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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