Crise Renan estará resolvida até votação da CPMF, diz Jucá

Governo teme que persistência de Renan em ficar na presidência prejudique a votação da prorrogação

Neri Vitor Eich, Fabio Graner e Ana Paula Scinocca, Agencia Estado

11 de outubro de 2007 | 12h08

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-PE), afirmou que, até a votação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), problemas envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB), estarão resolvidos, permitindo que a matéria seja aprovada ainda este ano. Jucá disse que o governo não trabalha com a hipótese de a aprovação da CPMF ficar para o próximo ano.   Ele participou de reunião com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e de Relações Institucionais, Walfrido dos Mares Guia, e com o presidente do CCJ, senador Marco Maciel (DEM-PE). "Reafirmamos a necessidade de aprovar a CPMF até o fim do ano", declarou.   Segundo Jucá, embora a relatora da CPMF, senadora Kátia Abreu (DEM-TO), tenha afirmado que vai usar todo o prazo que tem direito, o governo vai ponderar que ela pense no Brasil, no ajuste fiscal e nos programas sociais para apressar a apresentação do relatório. Ele afirmou que se o parecer for contrário à prorrogação da CPMF, o governo vai apresentar voto favorável e vai conseguir aprovação por maioria na comissão.   Jucá informou, em declaração divulgada pelo programa Bom dia, Brasil, da TV Globo, que o governo está negociando uma solução para a crise Renan. Os governistas querem que Renan, se não renunciar, pelo menos tire uma licença do cargo. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, embora reafirmando que o caso Renan é assunto do Senado, disse que torce por "uma solução rápida" da crise.   "Nós estamos avaliando o quadro, estamos confiando no discernimento do presidente Renan e, é claro que, não só eu, como líder do governo, mas todos os senadores, todos os partidos querem a retomada da normalidade e das votações no Senado", declarou Jucá, que participou terça-feira à noite de um jantar na residência oficial de Renan com vários políticos, entre os quais o senador José Sarney (PMDB-AP).   O temor do governo é de que a persistência da crise no Senado em torno de Renan possa prejudicar a votação da emenda que prorroga até 2011 a vigência da CPMF. Para continuar cobrando a contribuição, o governo precisa que a aprovação da emenda no Senado seja concluída antes do final do ano.   Decididos a tornar insustentável a situação do presidente do Senado deputados de oito partidos lançaram o movimento "fora, Renan". A idéia é promover ações de impacto até que Renan se afaste do cargo ou tenha seu mandato cassado por conta dos quatro processos disciplinares a que responde no Senado.

Tudo o que sabemos sobre:
Caso RenanCPMF

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.