Crise política atrasa votação de projetos do governo

A crise política desencadeada com a violação do painel eletrônico do Senado - e que deve culminar, amanhã, com a renúncia do senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) -, está atrasando a votação de projetos de interesse do governo no Congresso. A previsão para esta semana é que as votações tanto na Câmara como Senado sejam feitas em ritmo lento. Em meio à crise do Senado, os líderes governistas da Câmara centrarão os esforços na aprovação do projeto de lei que corrige as contas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em decorrência das perdas de planos econômicos."Será muito difícil conseguirmos votar alguma coisa esta semana além do projeto do FGTS", disse hoje o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). A pauta de votações da Câmara será decidida numa reunião de líderes marcada para quarta-feira, às 11 horas.Mas, de antemão, o líder do governo descartou a votação esta semana da emenda à Constituição que limita o uso de medidas provisórias (MPs) pelo presidente da República. "Acho que só vai dar tempo mesmo de votar o FGTS, até porque serão várias votações", observou. Além do texto básico do projeto, a estimativa é que os deputados sejam obrigados a votar cerca de seis destaques à proposta. "Tudo isso leva tempo", afirmou Madeira, ao dizer que a votação do FGTS deverá ser concluída em dois dias (hoje e quarta-feira).No Senado, a previsão é votar hoje, em plenário, um empréstimo do Banco Mundial (Bird), no valor de US$ 750 milhões, para o ajuste fiscal. Amanhã, depois do discurso de renúncia de ACM, os governistas também pretendem analisar a emenda constitucional que permite a reeleição de governadores e prefeitos, desde que eles deixem o cargo seis meses antes das eleições. "Temos de trabalhar pela normalidade do Senado e, por isso, acreditamos ser viável haver votações", disse o líder interino do governo, senador Romero Jucá (RR).

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