Crise no Senado é tema do 'Grito dos Excluídos'

Manifestação acontece em todos os Estados, menos no Acre; em São Paulo, principal ato ocorre em Aparecida

Clarissa Oliveira, de O Estado de S.Paulo,

06 de setembro de 2009 | 19h14

O Grito dos Excluídos, convocado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e outros movimentos sociais, chega nesta segunda-feira, 7, à 15ª edição com críticas à crise que atinge o Senado. Com a promessa de realizar manifestações em praticamente todo o País, o movimento parece colocar em segundo plano temas tradicionais, como a questão agrária, para protestar contra as irregularidades que cercam o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP).

 

"Essa questão da corrupção, que nós acabamos de assistir no Senado, na pessoa de José Sarney, nos atos secretos, e mesmo anos atrás no mensalão, são coisas que a sociedade não pode aceitar de braços cruzados. Fica parecendo para nós da sociedade civil que aquilo ali é um balcão de negócios", diz membro da coordenação nacional do Grito, Ari Alberti.

 

Este ano, diz ele, haverá manifestações do Grito em praticamente todo o território nacional. O Acre é o único Estado em que não há previsão de nenhum ato organizado. Nas demais regiões, por outro lado, são esperados eventos nas capitais e também em municípios do interior.

 

Em São Paulo, por exemplo, a maior parte das atenções estarão voltadas ao santuário nacional de Nossa Senhora Aparecida. Mas municípios como Salto e São Gabriel da Cachoeira vão sediar atividades pela primeira vez.

 

Dizendo não saber estimar o número total de pessoas que poderão participar da mobilização, Alberti diz que a ideia é também cobrar do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva uma política social que vá além do assistencialismo do programa Bolsa-Família. "Não basta a gente ficar aceitando só cesta básica como solução dos nossos problemas", argumenta o coordenador.

 

"Que se faça uma assistência emergencial, ninguém é contra. Agora, não podemos aceitar que a política permanente seja só a assistencial. Tem que ter política pública de desenvolvimento regional, tem que ter reforma agrária, política agrícola, assentamentos, e assim por diante."

 

Política econômica

 

Alberti promete ainda críticas à política econômica do governo. De acordo com ele, a tese de que o atual modelo prioriza apenas "o lucro e o capital" guiou a primeira edição do Grito, no meio dos anos noventa, ainda no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Essa política econômica, continuando, continua sendo criticada, independentemente de quem está no comando."

 

Além da Pastoral Social da CNBB e de outras pastorais, compõem a coordenação nacional do Grito entidades como Cáritas, Movimento dos Sem-Terra (MST), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo, entre outros.

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