Crise não tem fim imediato com saída de Palocci, avalia especialista

Para o cientista político Humberto Dantas suspeitas sobre enriquecimento de ex-ministro ainda vão continuar no noticiário

Elizabeth Lopes

07 de junho de 2011 | 19h09

A queda de Antonio Palocci da Casa Civil, após envolvimento em denúncias de multiplicação de seu patrimônio, não elimina a crise que atingiu a administração de Dilma Rousseff. O que está em jogo, na avaliação do cientista político e integrante do Movimento Voto Consciente, Humberto Dantas, é o que o ex-ministro fará daqui para a frente. "O Palocci sai do governo, mas o governo não sai do Palocci", enfatiza Dantas.

 

Segundo o cientista político, a atuação de Palocci na campanha de Dilma, a posição que assumiu de um dos ministros mais fortes e influentes do governo e a sua ligação com a gestão anterior (do ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva) imprimem no agora ex-ministro-chefe da Casa Civil o "carimbo do governo". Ou seja, mesmo fora do executivo federal, ele continuará no foco do noticiário, até mesmo porque não deu explicações convincentes sobre seu rápido enriquecimento. "Se nos últimos dias no governo, Palocci passou a ser motivo de preocupação e foco de crise, fora dele, o risco é que isso continue", emenda o cientista político.

 

Apesar da avaliação, Humberto Dantas diz que por estarmos em um sistema presidencialista, a presidente Dilma tem condições de superar mais rápido os eventuais efeitos da crise Palocci em sua gestão. Mas, alerta que é preciso ver, além dos próximos passos do ministro, o custo político a ser cobrado por todo esse imbróglio. "O grande desafio é entender o que vem por aí", reitera. E continua: "O pessoal está preocupado com o que será do País. Digo que a máquina pública é maior do que as pessoas. A dúvida é o próprio Palocci. Longe do governo, dependendo do que ele possa vir a fazer, o estrago pode continuar."

 

Gleisi. Dantas diz que a sucessora de Palocci na Casa Civil, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), apesar de ser dos quadros do PT, é avaliada como "alguém não tão fácil de se lidar". Para o cientista político, esse perfil é um risco para quem ocupa um posto tão importante e que precisa de muito jogo de cintura para as costuras políticas do governo.

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