Crise na reforma da Previdência pode atingir a tributária

A hesitação do governo em torno da proposta de reforma da Previdência pode custar caro e ter repercussões na reforma tributária. Essa é a avaliação que circula no núcleo político do governo. Embora o recuo na reforma da Previdência ainda não esteja sacramentado, ganha força o temor que os governadores aproveitem o flanco aberto pela pressão do Judiciário para forçar concessões também na questão tributária. O repasse aos Estados de parte da arrecadação das contribuições federais é só um exemplo do que eles podem reivindicar na reunião que está programada para a próxima terça-feira. Um intenso trabalho de bastidor vem sendo realizado desde ontem para tentar reduzir as chances de isso vir a ocorrer. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se encontra em Lisboa, vem sendo informado por telefone sobre o andamento das articulações. Teme-se, também, que a crise em torno da reforma da Previdência afete a popularidade do presidente Lula. Na avaliação de um integrante do núcleo do poder, os índices de aceitação do governo se mantiveram altos, apesar das medidas impopulares tomadas na área econômica, porque havia uma noção de rumo nas ações do Executivo. De certa forma, avalia esse integrante, a população vem aceitando fazer sacrifícios para atingir objetivos mais amplos. No entanto, nas últimas semanas o governo passou a emitir sinais contraditórios em relação ao norte anunciado desde a campanha. O questionamento em torno do reajuste das tarifas de telefonia fixa, encampado pelo ministro das Comunicações, Miro Teixeira, por exemplo, põe em xeque o compromisso da atual equipe de governo de honrar contratos. O recuo na reforma da Previdência, principalmente no ponto em que se admite a possibilidade de novos funcionários continuarem se aposentando com salário integral, contraria o compromisso de fazer todo o necessário para colocar as contas públicas na rota da sustentabilidade. E contas saudáveis são o principal indicador quanto à possibilidade de o País continuar honrando seus compromissos com relação à dívida interna e externa.

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