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Crise leva Dilma para varejo político

Contra a turbulência político-econômica, presidente intensifica própria agenda e reforça reuniões com líderes no Congresso

Isadora Peron, O Estado de S. Paulo

19 de setembro de 2015 | 22h00

BRASÍLIA - Na luta para sobreviver politicamente, a presidente Dilma Rousseff foi obrigada a assumir pessoalmente a articulação política do governo. Nas últimas semanas, ela se reuniu com líderes da Câmara e do Senado, ligou para parlamentares e governadores e recomendou a seus principais ministros diálogo constante com a base aliada.

Antes avessa às negociações políticas, Dilma tem dito a interlocutores que está decidida a recompor a sua base de sustentação no Congresso. Com isso, ela espera conseguir não só aprovar as medidas do novo pacote de ajuste fiscal elaborado pela equipe econômica como também impedir o avanço do grupo que quer o seu impeachment. 

As movimentações de Dilma se intensificaram depois de o vice-presidente Michel Temer anunciar que deixaria o dia a dia da articulação no fim de agosto. A decisão acendeu uma luz amarela no Planalto, que entendeu o movimento como um primeiro passo para o desembarque do PMDB do governo.

Para auxiliá-la na tarefa, a presidente escalou o seu assessor especial, Giles Azevedo. A ideia é que ele divida as atribuições da coordenação política com o ministro Ricardo Berzoini, que hoje está à frente da pasta das Comunicações.

Agenda. O empenho de Dilma pode ser medido em números, com uma análise dos compromissos registrados em sua agenda oficial. Desde a volta do recesso parlamentar, no início de agosto, ela já realizou nove reuniões com líderes da base da Câmara e do Senado. Até julho, esse tipo de encontro havia ocorrido apenas quatro vezes. A presidente também intensificou o contato com governadores. Na segunda-feira, ela convocou os chefes dos Executivos estaduais para um jantar no Palácio do Planalto para discutir com eles a proposta da volta da CPMF.

A presidente também se empenhou para voltar a ter uma boa relação com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que chegou a lançar em agosto a chamada Agenda Brasil, considerada na época uma boia de salvação ao governo. Ela tem ensaiado ainda uma reaproximação com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), rompido com o Planalto.

Dilma também tem tentado atrair o apoio de parlamentares independentes e partidos que já fizeram parte do governo no passado. Há algumas semanas, ela teve um encontro com o presidente do PSC, Pastor Everaldo.

Para o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), a presidente está inaugurando um “novo ciclo”. “Nem o Lula fez tanta reunião com a base como ela está fazendo. Muito menos o Fernando Henrique Cardoso”, disse.

O líder do PSD na Câmara, deputado Rogério Rosso (DF), faz uma avaliação parecida. “Ela já fez mais reunião este ano do que nos últimos quatro”, brincou. Para ele, Dilma entendeu que a solução da crise econômica passa pela reconstrução da base aliada. “Ela chamou para si a responsabilidade. Percebeu a importância de tirar diariamente a temperatura do Congresso”, disse.

Na avaliação do ministro da Comunicação Social, Edinho Silva, o fato de Dilma estar liderando pessoalmente o processo da articulação política tem uma “simbologia muito forte”. A expectativa, diz, é de que esse empenho comece a trazer resultados positivos para o governo.

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