'Crise é de Sarney e é melhor ele se afastar', diz Pedro Simon

Senador gaúcho pedirá que presidente da Casa se licencie; segundo ele, denúncia de neto de Sarney foi limite

Andréia Sadi, do estadao.com.br,

25 de junho de 2009 | 13h15

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse nesta quinta-feira, 25, que a crise do Senado se transformou em uma crise do presidente José Sarney (PMDB-AP) e, portanto, o "melhor que ele tem a fazer é se afastar". Simon vai pedir nesta tarde, da tribuna, que o presidente da Casa se licencie e explicou que tomou a decisão  após a nova denúncia publicada em O Estado de S. Paulo, segundo a qual um neto de Sarney - José Adriano Cordeiro Sarney - é um dos operadores do esquema de crédito consignado para funcionários da Casa. 

 

"Não estou pedindo para ele sair como punição, apenas acho que é melhor para todos ele se afastar. Essa última do neto que teria participação no sistema financeiro esgotou. O melhor que Sarney faz é se afastar e deixar andar essas coisas. Senão, vai ser manchete permanente de jornais. Ele diz que é 'uma crise do Senado, não minha',  mas se transformou numa crise dele", contou o senador ao estadao.com.br.

 

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Simon se refere ao discurso do presidente Sarney no último dia 16, quando afirmou: "A crise não é minha, é do Senado", sobre as denúncias dos atos secretos da Casa revelados em reportagens de O Estado de S. Paulo. O senador não acredita ser uma "voz isolada" no pedido para saída de Sarney, mas não deu nomes de outros parlamentares que o apoiam. "Não tem movimento, mas tenho visto mais pessoas falando que o interessante é ele se afastar."

 

Indagado se o clima de festa junina, que esvaziou a Casa, inviabilizaria esta iniciativa, Simon acredita ser positivo: "Com as festas juninas, com plenário mais esvaziado, é mais fácil a gente pedir e ele tem mais tempo para refletir, vai ter todo este fim de semana para refletir e ver o que ele vai fazer. Acho que é interessante ser colocado agora."

 

O PSOL informou que vai entrar com representação no Conselho de Ética do Senado contra contra Sarney e contra os ex-presidentes Renan Calheiros (PMDB-AL) e Garibaldi Alves (PMDB-RN). Internamente, o PSOL discute se as representações serão protocoladas nesta quinta-feira, 24, como defende Heloisa Helena, ou se na próxima semana.

 

Na opinião de senadores, a denúncia é grave. O senador Renato Casagrande (PSB-ES) acredita que o "presidente Sarney está chegando ao limite". Está chegando a um ponto que ele querendo ou não querendo, os fatos vão atropelá-lo. Não conversei com meu partido ainda (sobre pedir a saída), mas a minha interpretação é que está chegando ao limite".

 

Casagrande, nega, no entanto, que haja um movimento articulado pedindo a saída de Sarney. "Não tem um movimento articulado, uma decisão de um grupo de forma coletiva da situação do presidente. O que está claro é que a situação do presidente está cada vez mais frágil, de insustentabilidade política."

 

 O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), afirmou que a situação de Sarney com a nova denúncia caminha para a "inviabilidade". O senador voltou a cobrar respostas imediatas e drásticas por parte de Sarney. "Não sei se é licença ou renúncia. Mas ele está indo mal e precisa responder com urgência. O que se desenha é uma crise institucional. Creio que seja a maior que já vi depois da ditadura militar. É uma crise maior que a do mensalão, porque envolve agora um poder mais fraco do que o Executivo", ressaltou.

 

Para Virgílio, a ligação de um neto de Sarney com empréstimos consignados é mais grave do que a participação do ex-diretor João Carlos Zoghbi no esquema - a Polícia Federal já investiga a atuação do servidor por meio de uma empresa em nome de uma ex-babá. "É mais agravante, no caso do Sarney, porque envolve um componente familiar, no caso, o neto", disse.

 

(Com Eugênia Lopes, Denise Madueño, Christiane Samarco e Leandro Colon, de O Estado de S. Paulo) 

 

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