ANÁLISE: Crise fica mais aguda e governo corre risco de perder mais apoio

Presidente criou um problema com Rodrigo Maia (DEM-RJ) ao atribuir a ele a responsabilidade pelo decreto para atuação das Forças Armadas em Brasília

Marco Antônio Carvalho Teixeira, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2017 | 01h48

A crise política, cada vez mais aguda, começa a flertar com precedentes perigosos para a democracia brasileira. De um lado, movimentos sociais e sindicatos pressionam pela saída do presidente da República e interrupção da votação dos projetos das reformas previdenciária e trabalhista que tramitam no Congresso Nacional. Por outro, Michel Temer, acuado desde a delação de Joesley Batista, vive um momento político delicado para quem insiste em se manter no mandato e não consegue mais controlar adversidades. Tem de prestar depoimento na Polícia Federal e, ainda, assiste, sem forças para reagir, ao adiamento da apreciação dos projetos de reformas.

Sem apoio popular, com a agenda do Congresso bloqueada pela crise e o governo paralisado para se defender e montar estratégias de sobrevivência, Temer vê ruir sua possibilidade de terminar o mandato. No momento em que dependia exclusivamente do apoio de dois partidos, DEM e PSDB, acabou criando um conflito aberto com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ao atribuir a ele a responsabilidade pelo decreto para atuação das Forças Armadas em Brasília. Mesmo que anule o insensato decreto, Temer ampliou a crise de tal modo que corre o risco de perder o apoio do DEM. Além disso, tende a ver uma revoada de tucanos pelo mesmo motivo.

*PROFESSOR DE CIÊNCIA POLÍTICA DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA DA FGV-SP

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