Crise do SUS atinge diagnóstico por imagem

Dívidas e baixa remuneração do Sistema Único de Saúde (SUS) e dos convênios médicos aos serviços prestados no setor de diagnóstico por imagem já afetam o paciente. A qualidade dos exames está em queda, o que atrasa o diagnóstico e o tratamento. O alerta é da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), mas atinge todas as especialidades.É um desdobramento da crise que também afeta hospitais privados, conforme mostrou reportagem do Estado esta semana. "É cada vez mais freqüente o médico ter de pedir para o paciente refazer o exame porque a imagem está ruim", lamenta Juarez Ortiz, presidente da SBC.O diagnóstico e o começo do tratamento ficam atrasados. Filmes radiográficos de menor qualidade e equipamentos de segunda mão ou com manutenção deficiente diminuem a confiabilidade do exame. A crise no setor de diagnóstico por imagem tem o dólar como vilão. Tanto os filmes quanto os equipamentos são importados. Quando chega a hora da manutenção, só a mão-de-obra é cobrada em real. As peças, também importadas, têm preço em dólar.Além disso, a atualização dos serviços, com compra de equipamentos de tecnologia mais moderna, também está comprometida. Com uma dívida de US$ 900 milhões, a área de diagnóstico de imagem - formada por clínicas, centros e laboratórios - não tem mais crédito na praça.O prognóstico não é dos melhores. "Estamos entrando numa defasagem importante", afirma Aldemir Humberto Soares, presidente do Colégio Brasileiro de Radiologia, entidade que reúne médicos radiologistas e centros que prestam serviços nessa área. Ele afirma que, há quatro anos, o Brasil se equiparava aos Estados Unidos na incorporação tecnológica do setor. "Ficamos para trás."Aos custos altos não corresponde remuneração que dê para manter as contas equilibradas. Há três tipos de remuneração para os serviços privados de saúde: SUS, operadoras de planos de saúde e pacientes particulares (que são minoria).Ortiz dá um exemplo para que a defasagem possa ser entendida. Um ecocardiograma - exame usado para ver o coração em movimento - custa, em média, R$ 200 para um paciente particular. Pelo mesmo exame, um plano de saúde de grande porte paga R$ 38, e o SUS, R$ 12.O ministro da Saúde, Humberto Costa, admite que a tabela de valores pagos pelo SUS precisa ser revista. No setor de planos de saúde, é antiga a reivindicação de uma regulamentação da relação entre operadoras e prestadores de serviço.Discussões estão em andamento na Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) - órgão que regula os planos de saúde -, mas o item remuneração não faz parte delas.

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