Crise derruba avaliação do governo em 10 pontos

Segundo Sensus, aprovação ao presidente Lula também caiu 7,8 pontos

Daniel Bramatti e Eugênia Lopes, O Estadao de S.Paulo

31 de março de 2009 | 00h00

Os primeiros impactos da crise econômica no Brasil provocaram uma queda de dez pontos porcentuais na avaliação positiva do governo de Luiz Inácio Lula da Silva entre janeiro e março, segundo pesquisa do instituto Sensus encomendada pela Confederação Nacional dos Transportes (CNT). A aprovação ao desempenho pessoal do presidente caiu 7,8 pontos. Confira os gráficos da avaliação do governo Lula desde 2003Na pesquisa feita entre 23 e 27 de março, 62,4% dos entrevistados consideraram ótimo ou bom o governo como um todo, contra 72,5% no levantamento feito dois meses antes. No caso específico de Lula, a aprovação caiu do índice recorde de 84% para 76,2%.No intervalo de 60 dias entre os dois últimos levantamentos, os brasileiros foram informados de que o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encolheu 3,6% entre o terceiro e o quarto trimestres de 2008. Em fevereiro deste ano, o desemprego subiu pelo terceiro mês seguido, para 8,5%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.A deterioração do quadro econômico foi captada pelo Sensus: a parcela dos entrevistados que viram piora na situação do emprego nos seis meses anteriores saltou de 38,5% para 54,5%. Os que sentiram queda na renda mensal passaram de 23,2% para 32,6%. O que permanece praticamente inabalável, porém, é o otimismo em relação ao futuro. Nada menos que 46,3% dos entrevistados afirmaram que o Brasil deve sair fortalecido da crise - em janeiro, manifestavam essa opinião apenas 35%.Em relação ao emprego, 48,8% disseram que a situação deve melhorar nos próximos seis meses. Na pesquisa anterior, os otimistas sobre esse tópico eram 51,1% - a diferença de 2,3 pontos porcentuais é inferior à margem de erro da pesquisa, de 3 pontos. O mesmo fenômeno é observado em relação à renda: 49,2% disseram ter expectativa de melhora - dois meses antes, eram 51,7%.Apenas 22,1% disseram que o emprego vai piorar no semestre, e 14,4% previram queda na renda. Na pesquisa de janeiro, essas parcelas eram, respectivamente, de 20,3% e 11,1%.Para 40,1%, o Brasil está lidando adequadamente com a crise econômica. Outros 26,4% responderam "mais ou menos" a essa questão, e 26,5% opinaram que a reação do País à crise é inadequada.REGIÕESA crise e a queda da aprovação ao presidente se manifestam de forma desigual nas regiões do País.É no Sudeste que a taxa de satisfação com Lula teve queda mais significativa, passando de 81,1% para 67,7% em dois meses - nada menos que 13,4 pontos percentuais. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, a queda foi de 11 pontos. Já no Nordeste a aprovação ao presidente apenas oscilou ligeiramente, de 90,8% para 89,3%. O mesmo ocorreu no Sul - de 77,7% para 75%. Por faixa de renda, a aprovação ao desempenho pessoal do presidente caiu mais entre os que têm renda familiar mensal entre 10 e 20 salários mínimos, de 85,2% para 69,4%.Entre os mais pobres, com renda de até um salário mínimo, a queda foi de apenas 5,5 pontos percentuais (de 85,6% para 80,1%). É nessa faixa que está a maior concentração de atingidos pelos programas sociais do governo, como o Bolsa-Família.REPERCUSSÃOO senador Sérgio Guerra (PE), presidente nacional do PSDB, e o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN), disseram ontem que a aprovação a Lula caiu porque a população começa sentir os efeitos da crise, com o aumento do desemprego."A história da marolinha pegou e as pessoas estão vendo que o Lula as estava ludibriando", afirmou Agripino Maia. "Há uma realidade que o governo não foi capaz de enfrentar, de encarar de frente o risco de uma crise interna e externa. A opinião pública está sentido que, na prática, a crise não está sendo verdadeiramente enfrentada", disse Guerra.

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