Andre Dusek/AE - 22.02.2011
Andre Dusek/AE - 22.02.2011

Crise deixa Luiz Sérgio na linha de fogo

Avaliação no Planalto é de que ministro tem pouco trânsito no Congresso e ‘sobrecarregou’ Palocci, atingido pela crise envolvendo sua empresa

Vera Rosa e Eugênia Lopes, de O Estado de S. Paulo

31 de maio de 2011 | 23h00

BRASÍLIA - A presidente Dilma Rousseff planeja trocar o articulador político do Palácio do Planalto na primeira reforma ministerial, assim que baixar a poeira da crise envolvendo o chefe da Casa Civil, Antonio Palocci. Dilma avalia que pode segurar Palocci, mas há tempos tem queixas sobre o desempenho do ministro das Relações Institucionais, Luiz Sérgio, alvo de críticas no Congresso até mesmo por parte do PT.

 

A substituição de Luiz Sérgio, porém, não será feita agora, em meio à tempestade que ameaça a sobrevivência de Palocci, acusado de enriquecimento ilícito e tráfico de influência. Além disso, Dilma não age sob pressão e não gostou nada das cobranças apresentadas pelo PMDB, que quer mudanças no núcleo de coordenação política e assento nas reuniões semanais do grupo.

 

Na prática, a presidente vinha analisando a possibilidade de trocar Luiz Sérgio, deputado do PT licenciado, muito antes da crise que inferniza o governo. Interrompeu os movimentos nesse sentido para tentar salvar Palocci, com apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Agora, vai aguardar o desfecho da guerra para agir.

 

Em conversas reservadas, Dilma disse a mais de um interlocutor que Luiz Sérgio - ligado ao ex-chefe da Casa Civil José Dirceu - não tem o trânsito esperado na Câmara e no Senado. Acha, ainda, que a dobradinha entre ele e Palocci não funcionou. No Planalto, o comentário mais frequente é o de que Palocci já estava "sobrecarregado" por demandas antes das denúncias e não conseguia cuidar do "varejo" do Congresso, tarefa que deveria ser de Luiz Sérgio.

 

A cúpula do PT faz críticas à falta de interlocução do governo com o Congresso, mas quer marcar posição para não permitir que o PMDB avance sobre a Secretaria de Relações Institucionais, em tese responsável pela articulação política. Um dirigente petista disse ao Estado que "a infidelidade do PMDB não pode ser premiada", referindo-se à votação do Código Florestal, há uma semana, quando os peemedebistas ficaram contra os interesses do Planalto.

 

Petistas argumentam que o governo precisa mudar o modelo de coordenação política, e não só trocar o ministro. Alegam que quem sentar na cadeira necessita de "autonomia" para decidir.

 

Congresso. A insatisfação de Dilma está em diapasão com as críticas no Congresso. Nem mesmo os pleitos do PT, que tem 104 pedidos de nomeação, foram atendidos. Os cerca de 50 cargos de segundo escalão reivindicados pelo PMDB também não saíram do papel.

 

Envolvidos em uma briga interna, os petistas estão divididos em relação à articulação política do governo. Parte está certa de que a "tríade" da coordenação - Palocci, Luiz Sérgio e o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP) - deve ser rapidamente substituída, uma vez que há "um desgaste profundo". A avaliação é a de que o PT precisa fazer um "ajuste fino" com o PMDB para evitar votações como a do Código Florestal, em que os dois partidos ficaram em lados opostos. Há, porém, os que pregam mais cautela, para proteger Dilma.

 

Os atritos na aliança esquentarão a reunião da Executiva Nacional do PT, amanhã, em Brasília. "O PMDB é governo e não vai exigir nada além do esperado, porque pode debater todos os temas dentro do governo", disse Vaccarezza. "É evidente que temos de discutir a relação com o PMDB, porque precisamos construir um núcleo forte de apoio à Dilma, garantindo clima de tranquilidade nas votações", afirmou o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP).

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