Crianças pedem a Lula que acabe com trabalho infantil

Acostumado a ouvir pedidos e reclamações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrentou nesta segunda-feira uma novidade: as cobranças vieram de duas crianças. Um menino e uma menina representando a Caravana Nacional contra o Trabalho Infantil pediram ao presidente para fiscalizar melhor o programa Bolsa Família, não atrasar mais o pagamento do Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (Peti) e olhar com mais atenção a realidade das crianças.Com bom humor, o presidente respondeu que a pressão da sociedade, inclusive das crianças, é necessária e ajuda a acelerar o trabalho do governo. "Se toda a sociedade brasileira quiser pressionar o governo da forma gostosa como vocês estão pressionando e, sobretudo, as crianças, eu penso que a gente pode consertar o Brasil muito mais rápido que os prognósticos determinam", disse Lula em um discurso de improviso.Lula lembrou o fato dele mesmo - e da primeira-dama, dona Marisa - terem trabalhado desde criança. E ouviu de Phablita Uchôa de Araújo, 9 anos, e Cosme de Oliveira Júnior, 11 anos, representantes das crianças, que por ter trabalhado quando criança o presidente deveria saber como é ruim e se comprometer a combater o trabalho infantil. "Não gostamos nem um pouco dessa vida, achamos muito ruim e muito sofrida. Estamos aqui fazendo a nossa parte e queremos que o governo faça a sua", leu Phablita.O governo federal aproveitou a cerimônia para divulgar a assinatura de um protocolo com o Fórum Nacional de Secretarias de Assistência Social e o Colegiado Nacional de Gestores Nacionais de Assistência Social para inclusão das famílias que hoje estão no Peti no Cadastro Único dos programas de transferência de renda - um trabalho que, na verdade, já começou e deve estar pronto no meio de 2005. Hoje, as famílias que estão no Peti são selecionadas e pagas pelas prefeituras com os recursos enviados pelo governo federal, mas a União não tem idéia de quem está pagando. O sistema faz com que famílias que hoje estão no Peti passem a receber o Bolsa Família.O ministro do Desenvolvimento Social voltou a afirmar que está entre as metas do governo unificar o Peti no Bolsa Família até o final de 2006. Na verdade, o governo estuda passar a pagar as bolsas das famílias com recursos do Bolsa Família. Assim, os recursos do Peti - cerca de R$ 507 milhões em 2005 - seriam investidos apenas para as jornadas ampliadas. Atualmente, o Peti paga bolsas de R$ 25 (área rural) e R$ 40 (área urbana) a 930 mil crianças. A meta em 2005 é chegar um milhão.

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