Crianças estão presentes nos conflitos na área indígena

Ministério Público Estadual e Federal alertaram os pais que este tipo de procedimento é crime

Cyneida Correia, Agência Estado

04 de abril de 2008 | 20h24

Preocupados com a presença de crianças e adolescentes nas manifestações ocorridas na Terra Indígena Raposa/ Serra Sol, procuradores e promotores do Ministério Público Estadual e Ministério Público Federal, alertaram os pais que este tipo de procedimento é crime.   Veja também: Galeria de fotos da Raposa Serra do Sol Assista à entrevista de Roldão Arruda, enviado especial à região  ENQUETE: Os produtores rurais devem ser retirados da reserva indígena?  Saiba onde fica a reserva e entenda o conflito na região    O promotor de Justiça da Infância e Juventude de Roraima, Márcio Rosa, disse que fitas de reportagens gravadas na área e fotografias tiradas pela imprensa mostram claramente as crianças nas manifestações. "Fazemos um alerta que caso crianças sejam usadas nessa manifestação, tanto os pais como os líderes do movimento serão responsabilizados criminalmente". Márcio Rosa disse ainda que o Ministério Público vai acompanhar de perto a questão punir os responsáveis.   "Os pais podem ser responsabilizados e até mesmo perder o pátrio poder. Por isso pedimos que impeçam crianças e adolescentes de estarem expostos em situação de risco" concluiu.   Depois dos ataques desferidos pelo Movimento de Resistência aos policiais federais, a Polícia Federal pediu reforço ao Ministério da Justiça e agentes de todo o país chegam a Roraima para concretizar a retirada de não-índios da reserva indígena.   A Assessoria de Comunicação da Polícia Federal confirmou que chegaram à Roraima integrantes do grupo de Controle de Distúrbio Civil, equipe especializada em combate da Polícia Federal, além de integrantes da Força Nacional. Segundo a assessoria, este final de semana, outros agentes estarão chegando ao Estado. "A Polícia Federal só vai começar a operação quando houver condições de fazer a retirada de forma pacífica", garantiu a assessoria.   Apesar do discurso pacifista, na prática, além do grupo especializado em técnicas de guerra, a Polícia Federal também recebeu armamento especializado em combate armado, escudos, e armas de choque, spray de pimenta, munição de borracha, além de granadas, fuzis e outros armamentos também letais, vindos de todos os estados do país. Todo o armamento está guardado no auditório da Superintendência da Polícia Federal em Boa Vista.   Hoje a Polícia Rodoviária Federal com a ajuda da Polícia Militar conseguiu evitar o bloqueio das rodovias em Roraima e auxiliou a passagem de seis viaturas da Polícia Federal pela BR-174, que estava fechada por manifestantes. O principal foco do movimento, segundo a PRF, foi na BR-174 que liga o Brasil à Venezuela, onde um grupo de cerca de 100 manifestantes já estavam posicionando veículos e máquinas agrícolas próximo a ponte do Cauamé, na saída da cidade de Boa Vista. Eles foram retirados do local pela polícia, sob ameaça de serem presos. Devido a grande contingente de rodoviários e militares no local, os manifestantes resolveram fazer recuo estratégico e desistiram dessa etapa do bloqueio.   Os manifestantes estariam recebendo apoio extra-oficial de militares do Exército. A assessoria de imprensa do Exército informou que, oficialmente, não participa da operação.

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