André Lessa/AE
André Lessa/AE

Criada por 4 pessoas, divisão em distritos completa 20 anos

Limites foram traçados no governo de Luiza Erundina, na tentativa de reunir bairros com maior nível de coesão entre eles

Isadora Pderon, de O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 14h00

Vila Madalena, famoso reduto boêmio de São Paulo, não existe no papel. O mesmo ocorre com a nobre vizinhança de Cerqueira César ou o popular centro de comércio de eletrônicos de Santa Ifigênia. Esses bairros, que estão presentes no dia a dia do paulistano, não estão regulamentados por lei e tampouco fazem parte da divisão oficial de distritos da Prefeitura.

Feita em 1991 durante o governo de Luiza Erundina, a atual divisão territorial da maior metrópole do País contempla 96 distritos. Vila Madalena foi incorporada a Pinheiros; Cerqueira César se dividiu entre a Consolação e o Jardim Paulista; uma parte de Santa Ifigênia ficou na República e outra, no Bom Retiro.

A principal preocupação da equipe que teve como missão redesenhar o mapa da capital foi dividir São Paulo em áreas mais equânimes, numa tentativa de traçar limites que reunissem bairros com um maior nível de coesão entre eles. Posteriormente, essa divisão iria servir de base para o levantamento do Censo realizado pelo IBGE e para a criação das atuais 31 subprefeituras, que têm o objetivo de descentralizar a administração municipal.

O geógrafo José Donizete Cazzolato foi um dos quatro membros do time responsável pelo trabalho. Ele conta que, até então, a capital era dividida em apenas dez distritos e o principal deles abrangia quase todo o centro expandido e se subdividia em 48 subdistritos.

"Até 1990, a divisão da cidade seguia uma lógica de tempos passados, muitos dos limites entre um distrito e outro haviam sido definidos no século 19. Depois disso São Paulo cresceu muito, então você tinha um corpo de cidade grande com manequim que havia sido moldado quando ela era criança. Estava tudo apertado", afirmou.

Como uma cidade é um organismo em constante mutação, Cazzolato alerta para a necessidade de, num futuro próximo, voltar a se rever essa divisão. Ele avalia, no entanto, que o mapa atual é satisfatório, pois consegue evitar diferenças muito grandes entre a população de cada distrito. "Em 2020 talvez a gente precise dar uma melhorada em questões pontuais, como analisar melhor a questão do distrito de Grajaú, lá na zona sul, que ficou um pouco grande."

Manter esse mapa atualizado e coerente com as necessidades da metrópole é importante porque hoje praticamente todas as políticas públicas, de saúde e assistência social à educação, são pensadas sob a lógica dos distritos. / I.P.

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