Criada há 13 anos, Lagoa do Sul tem estrada sem asfalto

Não há praça, ginásio ou quadra poliesportiva na cidade do RS, mas moradores apontam melhorias na saúde e na educação

Ricardo Brandt, LAGOA BONITA DO SUL, O Estadao de S.Paulo

16 de maio de 2009 | 00h00

Lagoa Bonita do Sul virou município há 13 anos, depois de brigar pelo desmembramento de Sobradinho, a 250 quilômetros de Porto Alegre. Os moradores mais antigos e o prefeito José Santana (PT) garantem que a emancipação teve caráter "transformador". Mas para quem vê de fora a cidade mais parece um vilarejo sem mínimas benfeitorias públicas.Não há asfalto para chegar a Lagoa Bonita. A pista acaba na rodovia estadual (RS-400) entre Candelária e Sobradinho, altura do município de Passa Sete. Dali em diante são 6 quilômetros de terra batida e muita pedra. O único posto fica logo na entrada da cidade. Não há ruas planejadas, nem sarjetas, muito menos calçadas. Só a estrada principal que corta o centro da cidade tem calçamento. Nela estão a prefeitura, a Câmara de Vereadores, a igreja, o posto de saúde, os dois únicos mercados e alguns poucos estabelecimentos comerciais. Não há uma praça, nem um ginásio, ou quadra poliesportiva. Nada que faça Lagoa parecer uma cidade. Emancipada em 1996, Lagoa Bonita, com seus 2.100 habitantes, elegeu seu primeiro prefeito só em 2000. "A comunidade sempre desejou a emancipação, porque, como estamos afastados de Sobradinho, isso tudo ficava esquecido. Melhorou porque agora o prefeito está aí. Mas a política estraga tudo, porque eles não fazem nada para a cidade, só para eles", reclama o funcionário público aposentado Mário Göttms.Não há grandes obras em andamento. A última grande benfeitoria da prefeitura foi a compra de uma grande área para o centro de eventos, onde serão realizados os rodeios e as festas de aniversário de Lagoa. Já a obra da primeira creche da cidade está parada.A prefeitura funciona em um galpão, atrás da igreja, e a Câmara usa uma casa de madeira alugada. O prefeito admite que falta dinheiro. Com uma receita de R$ 6,8 milhões anuais - fruto do repasse do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e do ICMS -, Santana diz que é uma opção de governo não investir em obras. "Nós entendemos que precisamos usar o dinheiro municipal para melhorar a saúde e educação."Ele diz que a crise o faz cortar. "Entre janeiro e março perdemos R$ 518 mil com a queda nos repasses", conta. Mesmo assim, Santana, que nasceu em Lagoa, afirma que a cidade mudou e para melhor. "Hoje temos transporte para os estudantes, máquinas para os serviços e atendimento de saúde e escolas municipais suficientes", reforça Artur Possebon (PDT), primeiro prefeito de Lagoa Bonita.Mas basta uma olhada ao redor para ver que, apesar de criada toda estrutura administrativa e da melhora, confirmada por populares, dos serviços de saúde e educação, foram poucas as intervenções da máquina pública no local. Uma máquina que custa dinheiro. São 110 servidores, um para cada 25 moradores. O prefeito recebe salário de R$ 4.400, 7 diretores ganham R$ 2.197 e 9 vereadores, R$ 1.300.INFRAESTRUTURA"De fato, quando criaram a prefeitura melhorou o atendimento no posto de saúde, que antes não tinha nada e agora tem. Mas eles deviam fazer a infraestrutura para que vire uma cidade. Aqui não temos esgoto, não tem o que fazer, não tem nem restaurante", conta Ana Cristina Franceskuet, dona de uma das duas lojas de roupa. "Ah, a educação também melhorou." Há uma escola estadual e outras 5 municipais. "Pelo menos nossos filhos hoje podem permanecer por aqui, como os meus dois, que decidiram viver aqui", conta Helena Bernardi, que há 40 anos mora em Lagoa e garante que, mesmo com problemas, a emancipação veio para o bem. FRASESArtur PossebonEx-prefeito "Hoje temos transporte para os estudantes, máquinas para os serviços e atendimento de saúde e escolas municipais suficientes"Ana Cristina FranceskuetComerciante"Eles deviam fazer a infraestrutura para que vire uma cidade. Aqui não temos esgoto, não tem o que fazer, não tem nem restaurante"

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