Criação da CPI dos Fundos de Pensão divide peemedebistas

Setores do partido que estão de olho nos petistas que controlam os fundos e querem investigação

Christiane Samarco e Leonencio Nossa, da Agência Estado

03 de março de 2009 | 15h13

O PMDB não está fechado com a ideia de uma CPI para apurar corrupção nos fundos de pensão de estatais. O ministro da Integração Nacional, deputado Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), avisa que está trabalhando contra a abertura do inquérito proposto por setores do partido que estão de olho nos petistas que controlam os fundos. A ofensiva foi uma reação de peemedebistas ao fracasso da ofensiva do presidente de Furnas, Carlos Nadalutti, e do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, para trocar o comando da Fundação Real Grandeza, fundo de pensão que administra R$ 6,3 bilhões em recursos previdenciários de Furnas e da Eletronuclear.   O ministro comunicou ao governo que está "recomendando aos deputados amigos", que o ouvem, que não assinem o requerimento em favor da CPI dos fundos de pensão. "Me constrange este tipo de comportamento que passa à opinião pública a ideia de pressão indevida, de chantagem. Neste caso específico, termino concordando com o Jarbas Vasconcelos", completou o ministro, referindo-se ao senador do PMDB pernambucano, que acusou o partido de "só querer cargos".   O ministro da Secretaria de Relações Institucionais, José Múcio, disse que a instalação de uma CPI só causaria tumulto no Legislativo. Múcio disse ter ponderado aos líderes do PMDB e especialmente ao deputado Eduardo Cunha (RJ) autor da proposta de instalação da CPI, que uma investigação na Câmara vai dividir tanto a Casa quanto o Senado. "A CPI divide os parlamentares. O ano 2009 não é só véspera de eleição, como muitos querem. É ano de crise e temos de ser solidários com o governo e o País", disse o ministro. Para José Múcio, não há necessidade de CPI para investigar os fundos. "A CPI é uma última instância. Não podemos vulgarizar nem estabelecer CPI por questão de ressentimento", disse o ministro, numa referência do PMDB, que viu fracassar a tentativa de mudar a direção do Real Grandeza, fundo de pensão dos funcionários de Furnas e da Eletronuclear.   O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, que foi um dos articuladores para a mudança de comando no Real Grandeza, disse que não inspirou a instalação da CPI e nem pediu. "O presidente da Câmara certamente vai examinar", afirmou. "Eu até nem sei se há outras CPIs na frente dessa e não sei se vai funcionar", acrescentou Lobão. Ele voltou a afirmar que defendeu a mudança de comando no fundo de pensão a pedido do presidente de Furnas, que não estava se entendendo com a diretoria do Real Grandeza. "Esse é um assunto ao qual não quero mais comentar. Já dei todas as explicações que tinha que dar", disse Lobão.   Ele e o ministro José Múcio participam do almoço de posse da nova diretoria da Confederação Nacional das Empresas de Seguros Gerais, Previdência Privada e Vida, Saúde, Suplementar e Capitalização (CNSeg), que conta com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

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