Crescimento de Dilma reflete estratégia acertada, diz Pimentel

Para coordenador petista e ex-prefeito de BH, 'processo de transferência de votos está caminhando'

André Mascarenhas, do estadao.com.br,

01 de fevereiro de 2010 | 20h17

 

SÃO PAULO - O crescimento da pré-candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, apontada pela pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta segunda-feira, 1º, é reflexo de uma estratégia acertada, de colar a imagem da candidata governista à do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é de um dos principais coordenadores da campanha petista, o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel. "O processo de transferência de votos está caminhando", disse ele em entrevista ao estadao.com.br.

 

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A diferença de intenção de voto de Dilma e o provável candidato tucano, o governador de São Paulo, José Serra, caiu quase pela metade, de 10,1 pontos porcentuais em novembro para 5,4 pontos em janeiro. No cenário com o deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE), se a eleição fosse hoje, Serra teria 33,2% dos votos, e Dilma, 27,8%. Ou seja, se computada a margem de erro de 3 pontos porcentuais para cima ou para baixo, Serra e Dilma estão tecnicamente empatados.

 

Confrontado com a avaliação de políticos tucanos, que atribuíram o resultado a uma suposta antecipação da campanha pela pré-candidata petista, Pimentel ironiza: "Todo mundo tem direito de se iludir com o que quiser. O candidato da oposição também está trabalhando sua candidatura quando faz propaganda de São Paulo fora do Estado, ou viaja pelo País."

 

Para o mineiro, tanto a estratégia de Dilma, como a de Serra, têm legitimidade, pois, na avaliação do petista, o que ambos estão fazendo é "governar". "Os dois estão tendo visibilidade. Cabe à campanha do Serra avaliar se (a estratégia) está dando certo", diz Pimentel, numa análise diametralmente oposta a do presidente do PSDB paulista, deputado federal Mendes Thame, para quem Dilma, por enquanto, é "candidata única".

 

 

Campanha polarizada

 

O ex-prefeito de Belo Horizonte também rebate as avaliações, de políticos da oposição, de que a estratégia defendida pelo presidente Lula, de polarização entre Serra e Dilma, privilegia o tucano. De acordo com a pesquisa divulgada nesta segunda-feira, sem Ciro na lista de candidatos, Serra vai para 40,7% dos votos, contra 28,5% de Dilma, com chances de vencer já no primeiro turno.

 

Para Pimentel, entretanto, a suposta transferência de votos de Ciro para Serra é fruto de uma "leitura simplista". "Tanto Serra quanto Ciro tem recall de outras eleições. Ou seja, se você tira o Ciro, o eleitor escolhe o candidato que ele já conhece, nesse caso, o Serra." Como Dilma nunca disputou eleições, ela não contaria com essa transferência de votos.

 

"Mas isso é algo que acontece numa fase de pré-campanha", ameniza o petista, que descarta uma mudança de estratégia e diz que o partido continuará batendo na tecla de apenas um candidato no campo governista. "Nós achamos que o melhor é a confrontação entre Serra e Dilma", diz.

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