Cresce uso de salas antigrampo no Brasil

A paranóia com a banalização do grampo, da espionagem eletrônica e da multiplicação das formas de invasão da vida privada no País está aumentando o uso de salas blindadas por pessoas e empresas que precisam de sigilo. Entre os principais clientes estão empresários, políticos, lobistas, doleiros, advogados e profissionais liberais em geral. As estatísticas são imprecisas, mas especialistas estimam que em 2007 foram construídas entre 90 e 100 salas blindadas em Brasília e São Paulo. É um número 30% maior que o do ano anterior e o triplo da média histórica de 30 encomendas por ano, antes de eclodir, no início da década, a farra do grampo - ou ?era big brother?.A bisbilhotagem parte tanto da polícia em busca de provas criminais como de arapongas, detetives particulares ou espiões. ?Agora você pode escolher entre entrar nu na piscina com seu cliente ou pagar pelo uso de uma sala blindada, totalmente imune a grampo telefônico ou ambiental?, diz Jorge Maia, diretor de tecnologia da B2T - Business Technology, pioneira na oferta desse tipo de ambiente em Brasília. ?A paranóia existe, mas para todo veneno há um antídoto.Chamado tecnicamente de ?sala segura?, esse tipo de ambiente é totalmente blindado contra grampo telefônico, escuta ambiental e outras formas de violações de conversas. É em geral uma sala quadrada, sem janelas e com entrada única, num espaço central da empresa ou escritório. A entrada tem porta dupla, com revestimento acústico entre as duas. Não adianta pôr o ouvido nas paredes, que têm revestimento acústico interno. A sala não tem quadros, adereços, computador, ramal telefônico ou equipamento que possa esconder uma microcâmera ou escuta ambiental.O interior, incluindo piso, teto e paredes, é revestido de metal, de preferência alumínio, criando a chamada gaiola de Fahrrad, sistema que evita a saída de qualquer tipo de sinais elétricos. A mesa de reunião tem de ter tampo de vidro transparente, para permitir a visibilidade total. As paredes precisam ser na cor clara. Se houver algo embutido para violar as conversas, aparecerá o ponto preto onde o equipamento foi colocado. A sala deve ter equipamento gerador de ruído brando. Se alguém gravar a conversa, não conseguirá filtrar o som. Com tantos equipamentos e cuidados, uma sala segura padrão, de 30 a 40 metros quadrados, custa de R$ 200 mil a R$ 250 mil. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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