Cresce uso de remédios para ?males sociológicos?

O relatório divulgado pela Junta Internacional de Controle de Entorpecentes da Organização das Nações Unidas (ONU) mostrou um crescente aumento, entre a população mundial, do uso de medicamentos voltados para tratamento de doenças consideradas sociológicas, como a obesidade e insônia. O organismo da ONU culpa diretamente os governos, médicos, laboratórios, além dos próprios pacientes. "As regulamentações pouco rigorosas, as informações e as estimativas não fidedignas quanto às necessidades reais dessas substâncias para fins médicos, somadas à utilização de técnicas de comercialização agressivas e a práticas impróprias - ou mesmo não-éticas - de prescrição de medicamentos, criam uma situação em que é fácil obter substâncias psicotrópicas, especialmente nos países desenvolvidos, ainda que não somente neles", diz o relatório da Junta. Entre as principais doenças sociais, como a Junta define este tipo de mal, estão a insônia, obesidade e hiperatividade infantil, assim como outros tipos de dores. Para esses casos, são usados normalmente barbitúricos e várias anfetaminas e benzodiazepínicos. Mas a culpa não é só do lado farmecêutico, alerta o documento. Os próprios pacientes têm sua parcela de erro, assim comos os médicos. "A interação entre médico e paciente mudou muito", diz o relatório. "Em uma época de maior acesso a informações relacionadas com saúde, maior cuidado com esta e adoção conjunta de decisões, o paciente contribui cada vez mais para a determinação de todo o processo terapêutico. Portanto, as responsabilidades são compartilhadas pelas duas partes, ou seja, médicos e pacientes."

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