Cresce risco para 300 ameaçados no Pará, avalia bispo

Avaliação é de que absolvição de acusado de ser mandante da morte de irmã Dorothy agrava quadro no Estado

Moacir Assunção, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2008 | 00h00

Trezentas pessoas, entre religiosos, líderes sindicais e de movimentos sociais, estão sob ameaça de morte no interior do Pará por denunciarem crimes como grilagem, extração ilegal de madeira e exploração de mulheres. O número foi levado ao Conselho de Defesa dos Direitos das Pessoas Humanas (CDDPH), órgão da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, por três bispos que também integram a lista de jurados de morte no Estado - onde foi assassinada há três anos a irmã Dorothy Stang. A situação, de acordo com eles, tende a se complicar mais com a absolvição, na última terça, do fazendeiro Vitalmiro Bastos Moura, o Bida, acusado de ser o mandante da morte da freira. Segundo o bispo de Marajó, d. José Luiz Azcona, ele mesmo sob ameaça, o governo do Pará, apesar de ter conhecimento da situação, não tomou providências para enfrentar o problema. "Ora, se existem 300 pessoas marcadas para morrer, há uma sociedade doente, pobre e moribunda", criticou. Ele recusou proteção oficial, mas o bispo de Altamira e Xingu, d. Erwin Krautler, anda constantemente com dois policiais militares desde que começaram as ameaças contra sua vida.Além deles, recebem ligações ameaçadoras o bispo d. Flavio Giovanelle e o padre de Anapu - cidade em que Dorothy foi morta -, José Amaro Lopes. Segundo os religiosos, as ameaças são feitas pelo que chamam de consórcio do crime, formado por gente poderosa, acostumada a abusar da violência contra a população humilde. A governadora do Estado, Ana Júlia Carepa (PT), disse, em nota, que reconhece uma lista de 60 pessoas supostamente ameaçadas de morte, protegidas por 80 policiais militares. Na próxima segunda-feira, uma comissão de representantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) se reunirá com Ana Júlia para discutir a questão. O coordenador do programa de proteção a defensores dos direitos humanos da secretaria, Fernando Matos, também se surpreendeu com o número. Uma "força-tarefa" formada pela secretaria estará no Pará nos dias 19 e 20 deste mês.

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